11/ago 2011

Um Dia: Dex & Em, Em & Dex [Resenha IV]

“Viver cada dia como se fosse o último” – esse era o conselho convencional, mas na verdade quem tinha energia para isso? E se chovesse ou você estivesse de mau humor? Simplesmente não era prático. Era bem melhor tentar ser boa, corajosa, audaciosa e se esforçar para fazer a diferença. Não exatamente mudar o mundo, mas um pouquinho ao redor. Seguir em frente, com paixão e uma máquina de escrever elétrica e trabalhar duro em… alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Alegrar os amigos, permanecer fiel aos próprios princípios, viver com paixão, bem e plenamente. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se houver oportunidade.

Um DiaUm Dia, de David Nicholls, é um dos livros mais elogiados do ano. Dexter e Emma se conhecem na noite de suas formaturas, no dia 15 de julho de 1989, e ali iniciam uma relação de amor e amizade. Duas pessoas que não podiam ser mais diferentes. Ele, rico e mimado, cujo maior objetivo é viver a vida sem limites. Ela, estudiosa e idealista, porém insegura. A história se constrói, a partir daí, através de recortes da rotina dos dois personagens, ano após ano, sempre no mesmo dia 15 de julho. O livro foi lançado no primeiro semestre aqui no Brasil, pela Intrínseca.

O grande barato dessa estrutura de Um Dia é que ela evidencia o fato de que um dia, um simples dia, tem influência direta em nossas vidas, amanhã e daqui há 20 anos. Afinal, o que é uma vida senão um sucessão de dias? Dexter e Emma se transformam e amadurecem, dia a dia, durante os 20 anos que o livro acompanha em suas 416 páginas. A construção da personalidade dos dois é fantástica, e de uma simplicidade deliciosa. Impossível não odiar Dexter e seu excesso de confiança e arrogância juvenil, para depois torcer por ele e até sentir pena, ou questionar as decisões de Emma e seu idealismo exarcebado, para depois ver que na vida, pelo menos nessa pintada por Nicholls, tudo, de uma forma ou de outra, sempre se encaixa.

A leitura de Um Dia é daquelas que dá vontade que não acabe nunca. A gente ri, chora, se apaixona pelos personagens, se identifica com aquelas duas vidas, suas dúvidas, questões, e o inexorável amadurecimento que surge com o passar dos anos. A leitura flui de forma totalmente envolvente e, perto do fim, tomamos um soco no estômago totalmente inesperado, mas que no fim das contas torna a história ainda mais maravilhosa. O capítulo final talvez sejam as páginas mais doces que já li na vida. Envolvente, emocionante, engraçado, mas ao mesmo tempo triste e melancólico, Um Dia é o tipo de obra que estraga uma vida: a gente acha que nunca mais vai ter em mãos um livro tão maravilhoso.

Falando nisso…
Um Dia, é claro, virou filme. Um filme que tem tudo para ser tão maravilhoso quanto o livro. Com Anne Hathaway e Jim Sturgess nos papéis principais, o trailer é lindo, principalmente para quem leu o livro e identifica cenas e diálogos. Para quem não leu e pretende fazê-lo antes de ver o longa (e acho que você deveria considerar seriamente fazer isso), talvez o trailer represente um imenso estraga-surpresas! De qualquer forma, o filme dirigido por Lone Scherfig (de Educação) é o mais esperado por mim para esse ano. A estreia acontece dia 19 lá nos EUA, e ainda não há uma data definida aqui para o Brasil.

Categoria: Livros, Resenhas

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