Jogos Vorazes (o filme)
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Quem acompanha minimamente este blog sabe o quanto eu estava esperando pela estreia de Jogos Vorazes nos cinemas. O dia 23 de março era uma data marcada no calendário já há alguns meses, e claro que na sexta-feira corri para assistir à primeira parte da trilogia de Suzanne Collins, que muita gente diz que é o novo Crepúsculo (pffff). Antes de dizer qualquer coisa sobre o filme, preciso falar que esta resenha não vai ser daquelas que você está acostumado a ler por aqui. Isso porque não consigo dissociar a experiência que tive com o filme daquela que eu já trazia da leitura dos livros. Por isso é impossível não traçar comparações entre os dois produtos. Mas se você não leu o livro, não se preocupe, vou falar pra você também.

Jogos Vorazes, você sabe, é a história de um futuro distópico, em que Panem (no passado conhecido como os EUA) é um país dominado por uma capital totalitária e 12 distritos submissos a ela. Nesse cenário, todo ano são realizados os Jogos Vorazes, um evento/reality show em que cada distrito deve enviar um casal de jovens para uma disputa de vida e morte, onde apenas aquele que sobreviver por último é consagrado o campeão. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) acaba se voluntariando para os jogos, a fim de proteger a irmã, e representa o paupérrimo Distrito 12 junto de Peeta Mellark (Josh Hutcherson), o filho do padeiro que nutre uma paixão pela garota desde que a ajudou a não morrer de fome.
Jogos Vorazes é um filme bastante fiel ao livro que o originou, apesar de ter algumas diferenças marcantes. A relação entre Katniss e Gale (Liam Hemsworth), por exemplo, fica muito mais rasa do que no original, e a própria personalidade arredia e rebelde da garota aqui aparece amenizada. É lógico que uma transposição de um livro para o cinema sempre sofre adaptações. Ainda mais quando o livro é narrado pela personagem principal e é recheado de pensamentos e impressões dela, além de ser extremamente violento. Apesar disso, o roteiro do longa tem sucesso em transpor para as telas a história criada por Suzanne Collins, abrandando a violência e tomando algumas liberdades em relação ao texto original, e acredito que quem leu o livro não vai se sentir traído pelo filme. Quem não leu talvez sinta um pouco de falta de mais detalhes sobre os Jogos, mas nada que atrapalhe a experiência de Jogos Vorazes.

O filme se destaca principalmente em dois aspectos: o visual e o elenco. A arquitetura da Capital, e a bizarrice de seus habitantes é bem aquilo que quem leu o livro esperava ver, contrastando com a pobreza e simplicidade do Distrito 12. É verdade que os efeitos especiais de Jogos Vorazes não sá lá essas coisas (justificável pelo fato do filme ter um orçamento relativamente modesto, de 80 milhões de dólares), mas o diretor Gary Ross (de Seabiscuit e A Vida em Preto-e-Branco) acerta ao dar pouco tempo para que percebamos as imperfeições. O elenco é um show à parte. Jennifer Lawrence é a Katniss que todo mundo deve ter imaginado ao ler Jogos Vorazes, fato! Hutcherson consegue passar toda a serenidade e carisma de Peeta, e que delícia é a atuação de Stanley Tucci como um espalhafatoso apresentador de TV, ou Woody Harrelson como Haymitch, o mentor de Katniss e Peeta. Sem falar em Elizabeth Banks, perfeita na pele da afetada Effie Trinket.

Não é de se espantar que Jogos Vorazes tenha conquistado bilheteria de 150 milhões em seu fim-de-semana de estreia, ficando com a terceira maior bilheteria de uma estreia na história (a maior de todos os tempos se não considerarmos continuações). Com uma história envolvente, direção precisa, atuações calorosas e uma temática que gera inúmeras reflexões (além de divertir à beça, é claro), o filme realmente não se parece em nada com Crepúsculo. Mas se a comparação levar mais gente a ver e admirar a trilogia, e transformá-la na nova febre do cinema, que ótimo, porque Jogos Vorazes merece!
Tags: Elizabeth Banks, Gary Ross, Jennifer Lawrence, Jogos Vorazes, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Stanley Tucci, Suzanne Collins, Woody Harrelson










