03/out 2011

O melhor do Rock in Rio

Falar sobre “o melhor do Rock in Rio” é caminhar em terreno pantanoso. Em um festival com tantas atrações, tão diferentes entre si, é normal que existam extremas divergências sobre as opiniões. Quer um exemplo? Veja o parágrafo inicial do ótimo e indispensável texto de ontem da ombudsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer, que é uma verdadeira aula de crítica musical:

Elton John “esfriou a plateia”, onde “sobraram alguns cinquentões com sorriso no rosto” (Folha) ou o “público vibrou a cada gesto do cantor inglês” (“Estado”)? O show de Mike Patton, vocalista do Faith No More, foi “original e surpreendente” (Folha) ou apenas “uma enxurrada de clichês musicais, num clima de tarantela americanizada” (“Estado”)? O NX Zero merece estar entre as melhores performances (Folha) ou foi um zero à esquerda (“O Globo”)?

Os exemplos citados por Suzana mostram a diversidade de opiniões sobre os shows do festival. Por isso, longe de ser uma avaliação definitiva do Rock in Rio, este post não passa de uma simples tentativa de exaltar aquilo que mais me chamou a atenção nesses sete dias de evento. Ah, é claro que devo dizer que não vi tudo o que rolou no Rock in Rio. Algumas vezes simplesmente não tive vontade de investir o meu tempo em determinado show, outras o sono não permitiu, e em várias outras tive acesso apenas a trechos de apresentações na internet.

Devo dizer também que eu não estava lá na Cidade do Rock (eu disse que não iria), mas mergulhei no espírito do festival. Uma das coisas mais legais do Rock in Rio É SER O ROCK IN RIO, por mais contraditório que possa parecer. Sobre isso, não existem palavras melhores do que aquelas que o Zeca Camargo disse na semana passada:

Todo mundo que foi ao Rock in Rio – pelo menos até agora (e eu não tenho motivos para desconfiar de que será diferente até domingo que vem) – divertiu-se com alguma coisa. Quem não estava particularmente interessado num dos shows ou numa das apresentações que estava acontecendo em determinado momento, estava passeando, rindo com os amigos, conhecendo alguém que também foi lá “só de onda”, ou simplesmente namorando. [...] Com exceção talvez de Rihanna – que foi quase uma unanimidade no sentido de ter feito um show aquém das expectativas – todo mundo aproveitou alguma coisa do Rock in Rio, de alguma maneira.

Sempre associei o sucesso de um show à capacidade do artista de mobilizar o público presente. E não sou só eu quem acha isso. Veja esse trecho do post do Bruno Medina sobre o assunto:

Para muita gente – arrisco – a qualidade de uma apresentação está diretamente associada à capacidade que o artista em questão tem de mexer com a massa, fazer a plateia cantar junto, jogar os braços pro alto e esquecer da vontade de fazer xixi, da fome ou da dor nas pernas.

Nesse sentido, não dá pra deixar de citar a apresentação de Ivete Sangalo, que não estava nem aí para o fato de ser uma cantora de axé em um festival de “rock”, ou o belo show do Jota Quest, que desfiou uma sequência de hits que poucas bandas têm à disposição e conseguiu me deixar arrepiado (ouvi falar que o Skank causou efeito parecido, mas infelizmente não vi o show deles). Ouso afirmar que foi o show nacional mais eletrizante desse Rock in Rio.

Jota Quest

Alguns shows conseguiram ganhar o status de arrebatadores, e não vi ninguém criticando as apresentações de Stevie Wonder e Shakira. O primeiro é uma verdadeira lenda da música, e dificilmente faria um show menos que perfeito, com momentos históricos. A segunda, com sua simpatia e sensualidade, aliada a um bom repertório, conseguiu derreter até o rockeiro mais xiita.

Shakira

Tivemos apresentações que podem não ter sido unânimes, mas divertiram e tiveram mais elogios que críticas. É o caso do delicioso show de Katy Perry, a fofa performance do Coldplay, e aquelas feitas sob medida para os fãs, como o Maroon 5, Red Hot Chilli Peppers e todos os shows da noite do metal que, sinceramente, não tenho competência para falar sobre.

Coldplay

Claro que tivemos algumas decepções. O maior exemplo é a própria Rihanna, que o Zeca citou ali em cima. Eu, particularmente, esperava gostar mais do show do Lenny Kravitz, mas não consegui empolgar, apesar de ter lido muitas críticas positivas sobre sua performance.

Devo dizer ainda que tenho ouvido muitas críticas positivas aos encontros entre artistas promovidos no Palco Sunset, mas desses quase nada eu vi, então vou me abster de falar alguma bobagem.

E não poderia deixar esse texto acabar sem citar a cobertura do Multishow, que beirou o cômico. Eu sei que é difícil fazer uma transmissão desse porte ao vivo, mas Didi e Luisa pareciam totalmente perdidas, proferindo comentários totalmente inúteis. Luisa, por exemplo, antes do show de Shakira, visivelmente sem ter o que falar, citou o alto QI da cantora. “Não sei quem mediu”, ela disse, “mas Shakira é mega gênia”. Isso sem falar no Beto Lee, que até agora não entendi qual era a função ali, porque ele só aparecia pra enrolar por 5 segundos antes do início de cada show e fazer comentários vazios no final.

E para você? Quais foram os destaques do Rock in Rio?

Categoria: Música

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02/out 2011

O suplício de Cláudia Leitte

O nome mais citado desse Rock in Rio é, para o bem ou para o mal, Cláudia Leitte. A cantora, assim como Ivete Sangalo, figurava, antes do começo do festival, a maior polêmica sobre a escalação do evento. Afinal, era ou não necessária a presença de duas artistas de axé no Rock in Rio?

Cláudia Leitte

Cláudia Leitte vem enfrentando revezes em sua carreira desde o fim do ano passado. Perseguição? Duvido. O álbum As Máscaras, sem personalidade até dizer chega, amparado pela versão sofrível do sucesso mundial Billionaire, de Travie McCoy, quase que tentando fugir do rótulo de cantora de axé, raspa na música pop incolor, inodora e insípida. Ou talvez um tanto amarga. Em um exemplo de péssimo timing, ela lançou o single da música Água durante o período de enchentes mais destruidoras da história do estado do Rio de Janeiro.

Cláudia LeitteO show no Rock in Rio era a chance de Cláudia Leitte dar a volta por cima. Ledo engano. Vaiada por uma apresentação que empolgou muito pouca gente, a cantora perdeu uma excelente chance de ficar quieta, e saiu atacando aqueles que não gostaram do show, comparando-os a Hitler (!!!), e falando mal dos artistas internacionais que, segundo ela, são piores que os nacionais (alô, preconceito?) não estão nem aí pro público brasileiro e mesmo assim são aplaudidos.

Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…

O que falta a Cláudia Leitte é o que sobra em Ivete Sangalo. Não, não sou fã de Ivete, nem odeio Cláudia. Na verdade, gosto das duas o mesmo tanto. Mas é impossível não comparar a performance das duas no palco do Rock in Rio. Enquanto Cláudia se sustentou em covers datados e um show muito purpurinado mas com pouca personalidade, Ivete não teve vergonha de apresentar o mesmo repertório que entoa em cima dos trios elétricos, sem excessos e usando aquilo que ela tem de melhor em seu favor: o imenso carisma. Resultado: cem mil pessoas pulando e cantando junto, quase se esquecendo que estavam ali pra ver Lenny Kravitz e Shakira, fazendo daquele um dos melhores shows do Rock in Rio 2011.

Ivete Sangalo

Agora quero ver Cláudia Leitte dizer que o público tem preconceito com cantores de axé.

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30/set 2011

Stevie Wonder e o momento mais emocionante do Rock in Rio

Ainda faltam 3 dias de Rock in Rio pela frente, mas duvido que algum momento supere em beleza e emoção este: Stevie Wonder entrega para o público Garota de Ipanema, e este canta a plenos pulmões o clássico de Tom e Vinícius, e ainda emenda na bela Você Abusou. Quem sabe faz ao vivo, sem firula e com emoção.

Categoria: Música

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24/set 2011

Eu já disse que adoro a Katy Perry?

Tenho certeza que sim. E depois de assistir (pela TV, é claro) ao show dela no Rock in Rio ontem à noite, cheguei a sentir uma pontinha de inveja de quem estava lá, e um arrependimento monstro de não ter ido. Katy Perry não é a melhor cantora do mundo, tecnicamente falando. Ela estava cansada, sim, dançou e pulou pra caramba, e deu umas escorregadas na afinação, mas nada que estragasse o divertido show que a cantora fez no Palco Mundo.

Katy Perry

Katy é engraçada, simpática, tem um repertório muito bom, e sabe se divertir. Sim, porque dá pra perceber o quanto ela se diverte no palco, fazendo dancinhas fofas, trocas de roupas espertas (cara, as muitas trocas de vestido durante Hot ‘n Cold é uma das coisas mais legais que eu já vi), conversas marotas com a plateia (tipo quando ela deu uma trollada no público falando sobre os argentinos, e pedindo que amássemos os argentinos), e até uma ceninha com um convidado do público (o sortudo do Júlio, de Sorocaba, que beijou e foi beijado pela cantora).

O mais legal de Katy Perry é que ela faz o estilo tô nem aí, e faz seu show como se estivesse brincando com os amigos no quintal de casa. É claro que para uma cantora com apenas dois discos, não é difícil desfilar todos os seus hits, mas a ordem das músicas, e a caracterização criada para cada uma delas, deixa tudo mais legal. Talvez eu só trocasse as duas últimas de ordem, e colocasse Firework para fechar o show, porque é uma canção bem mais apoteótica do que California Gurls. Mas isso já é divagação.

Katy Perry

Todo mundo que já foi ao Rock in Rio diz que o clima do festival é diferente, que as pessoas estão ali pra se divertir e compartilhar boa música. Se isso é verdade não sei, mas que, se for, Katy Perry foi uma ótima escolha para a primeira noite, ah, isso foi.

Categoria: Música

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23/set 2011

O Rock in Rio começa hoje

Rock in Rio

Não vou ficar de #mimimi, falando que o Rock in Rio não devia ter esse nome, que as atrações são ruins, que isso, que aquilo. Não, eu não vou ao Rock in Rio, mas por pura e simples burrice! Demorei a me decidir e quando vi, já era, os ingressos estavam esgotados. Mas não vou negar que, rock ou não, queria estar lá e assistir Katy Perry, Shakira, Coldplay e Red Hot. Na real, teria vontade de ir mesmo que as atrações fossem xuém. Afinal, estamos falando dO Rock in Rio!

Nesse sentido, o artigo de Tony Bellotto na Folha de hoje (para assinantes) é fantástico, ao falar sobre essa história de ser ou não ser rock, e da própria importância do festival. Texto obrigatório. Leia:

A poesia concreta do Rock in Rio

Outra noite, num evento que reunia músicos que já participaram (ou estavam por participar) do Rock in Rio, cuja quarta edição brasileira começa hoje, alguém na plateia questionou o uso do termo rock para nomear um festival que anuncia em seu rol de atrações artistas como Ivete Sangalo, Shakira, Stevie Wonder e, sei lá, Elton John.

A pergunta mereceu inúmeras respostas, dentre as quais destacou-se a de Leo Jaime, um dos “ex-rockers in Rio” presentes: “Porque se dessem o nome de Pagode in Rio a um festival, seria o maior fracasso”. Houve outras, como a minha própria, um tanto professoral e indisfarçavelmente chapa-branca: “Porque o rock moderno, assim como o jazz, assimila um sem-número de influências e referências”.

Entre ex, atuais e futuros participantes do Rock in Rio, a pergunta gerou controvérsia e respostas corrosivas. Branco Mello defendeu que nem sempre é preciso gostar de tudo e que é compreensível -e até saudável- que um moleque fã de heavy metal sinta engulhos ao saber que terá de aturar Claudia Leitte num festival que oferece Metallica como chamariz. Andreas Kisser creditou a uma vaga e inofensiva “ansiedade metaleira” o fato de, com todo o respeito, Erasmo Carlos, Lobão e Carlinhos Brown terem sido vaiados impiedosamente em edições anteriores do festival, como se fossem duplas sertanejas ou cantores de ópera, e não genuínos representantes do melhor rock/pop brasileiro.

Uma das razões que explicam o sucesso desse empreendimento -porque, afinal, o Rock in Rio é mais do que um festival, uma marca, um franchising, uma grife, uma pirâmide ou um parque de diversões- é justamente a capacidade que têm essas três palavras, Rock in Rio, de significar ao mesmo tempo tantas coisas diferentes, muitas vezes antagônicas, sempre reveladoras.
 
O primeiro Rock in Rio, em 1985, tirou o Brasil de um limbo em que artistas internacionais em fim de carreira faziam uma rápida escala antes -ou durante- a aposentadoria. Seu maior atrativo desde o começo, quando o Brasil parecia não ter -e não tinha mesmo- a menor estrutura para receber um evento dessa magnitude, foi o transcendente poder do nome Rock in Rio.

Ninguém àquela época relacionaria o substantivo rock à cidade do Rio de Janeiro. Se havia um lugar rock’n'roll no Brasil, era São Paulo. O Rio era a terra do Carnaval, do samba, da praia e das mulatas fornidas e inzoneiras (seja lá o que signifiquem esses arcaicos adjetivos).

Ao criar um dos mais belos poemas concretos do Brasil contemporâneo -Rock in Rio-, o empresário Roberto Medina mudou a maneira como enxergávamos -e ouvíamos- a nós mesmos. E, de quebra, forneceu uma resposta àquela esfinge pentelha que insistia em nos inquirir, impiedosa: “Mas afinal, quem são vocês?”. “Nós somos isso”, responderam as bandas brasileiras.

Mesmo sem cenários e um arsenal de fogos de artifício, elas provaram que o rock brasileiro não quer abafar ninguém, só deseja mostrar que faz barulho também (e segue fazendo-o ininterruptamente desde então, não importa quantos padres cantores, políticos tipo Brizola e bichos escrotos em geral queiram calar-lhe a boca).

Categoria: Jornalismo, Música

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26/ago 2011

Que linda a capa da Bravo de setembro

Eu gosto da Bravo, e gosto mais ainda quando eles fazem essas capas inspiradas e minimalistas. Só pra começar o hype que vai ser esse mês em torno do Rock in Rio (#eunãovou #mimimi).

Bravo - Setembro/2011

Via dasBancas.

Categoria: Jornalismo, Música

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