20/set 2012

Dr. Fantástico (1964) – Projeto Stanley Kubrick

Stanley Kubrick foi conquistando uma liberdade criativa crescente a cada filme que realizava. Nesse sentido, Dr. Fantástico pode ser considerado um divisor de águas na carreira do diretor. Isso porque James B. Harris, sócio de Kubrick que produziu todos os seus longas até aqui, resolveu encerrar a parceria para ele mesmo iniciar uma carreira como diretor. Isso possibilitou que Kubrick, a partir desse sexto longa, tivesse controle absoluto sobre sua obra, agora que acumulava as funções de diretor e produtor. E ele se mostrou totalmente competente na função: Dr. Fantástico não só obteve sucesso de público e crítica, como também foi indicado a quatro Oscars: melhor filme, diretor, roteiro adaptado e ator, para Peter Sellers.

Estamos na metade dos anos 60 e Kubrick, como boa parte do mundo à época, está obcecado com a Guerra Fria e a ameaça nuclear que ela trazia. Ao pesquisar o assunto, o diretor descobriu o livro Red Alert, de Peter George, e, após adquirir os direitos do romance, escreve um roteiro junto com o autor e com Terry Southern. O resultado é um roteiro anárquico e  cheio de humor negro, uma crítica ácida à Guerra Fria, cercado de ironia e sarcasmo.

Dr. Fantástico

Um General megalomaníaco, Jack D. Ripper (Sterling Hayden), isolado em uma base militar, resolve ordenar um ataque à União Soviética, que pode iniciar uma nova guerra ou mesmo destruir o mundo. Isso porque, caso o ataque se consuma, uma retaliação automática está programada, atendendo pelo sugestivo nome de “A Máquina do Juízo Final”. Apesar das tentativas de seu imediato, Capitão Mandrake (Peter Sellers), de impedir o ataque, Ripper consegue seguir com o plano, desobedecendo até mesmo o Presidente. É na Sala de Guerra, em Washington, que o Presidente Muffly (Peter Sellers), junto de sua mais alta cúpula, tenta reverter a situação, com a ajuda do General Turgidson (George C. Scott) e do estranho Dr. Strangelove (Peter Sellers), um ex-cientista da Alemanha nazista. Ao mesmo tempo, no avião que carrega a bomba, comandado pelo Major T.J. “King” Kong (Slim Pickens), os soldados mal imaginam as consequências que podem surgir caso eles sigam a ordem recebida.

O longa é uma grande crítica à Guerra Fria. Kubrick usa o filme para mostrar o quanto o homem é imbecil ao alimentar uma obsessão pelo conflito, mesmo que este possa levar à extinção de nossa espécie. Ele usa do boato recorrente à época, de que os russos estavam contaminando toda a água potável da América, como estopim para a ordem inconsequente de Ripper. Apesar do tema cascudo, Kubrick consegue fazer de Dr. Fantástico um filme extremamente engraçado e recheado de ironias, como no momento em que, tentando apartar uma discussão entre um embaixador soviético e Turgidson, o Presidente lembra que “Vocês não podem brigar aqui! Isto é a Sala de Guerra!”, ou na cena antológica em que o Major Kong monta, literalmente, na bomba atômica, como um bom caubói texano.

Dr. Fantástico

Dr. Fantástico é mais uma obra em que a obsessão meticulosa de Stanley Kubrick se faz presente. Ele cuidava de cada detalhe da produção exaustivamente, até que as cenas ficassem como ele esperava. As bombas cenográficas criadas para o longa, por exemplo, tiveram que ser refeitas três vezes, até que ficassem como Kubrick queria. Destaca-se, nessa dinâmica de produção, a presença de Peter Sellers. Apesar do controle que Kubrick gostava de ter sobre sua obra, ele deixava Sellers improvisar livremente durante suas cenas, que eram depois reescritas. O resultado é uma das melhores interpretações do ator, que rendeu uma indicação ao Oscar, mais que merecida (infelizmente, ele perdeu o prêmio para Rex Harrison, de Minha Bela Dama). Em certos momentos, dá até para acreditar que cada personagem está sendo feito por um ator diferente.

Dr. Fantástico

 O final de Dr. Fantástico talvez esteja entre as cenas mais ousadas já feitas no cinema, em que as imagens (apesar de ser fácil de imaginar quais sejam, é melhor não arriscar um spoiler) contrastam com a canção “We’ll Meet Again“. Sem dúvida, foi o filme que colocou, de vez, Stanley Kubrick entre os maiores gênios do cinema mundial, e o primeiro de uma sequência de clássicos que podem figurar facilmente entre os melhores longas já feitos.

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03/dez 2011

Lolita (1962) – Projeto Stanley Kubrick

Após a experiência negativa de Spartacus, tudo o que Stanley Kubrick queria era ter controle absoluto sobre sua obra. Assim, mesmo com todas as dificuldades que cercariam a produção, Kubrick e seu sócio, o produtor James B. Harris, resolveram adaptar o polêmico livro Lolita, do russo Vladimir Nabokov. O próprio autor foi responsável pelo roteiro, e este teve que sofrer várias modificações, pois Kubrick não queria que Lolita viesse a ser proibido pela MPAA (Motion Pictures Association of America), a responsável pela censura dos filmes nos EUA. O tema espinhoso do longa viria a dificultar bastante o trabalho de Kubrick, mas também geraria um filme que, apesar de ser considerado por muitos uma peça menor da obra do diretor, teve importância fundamental em sua carreira.

Lolita

Lolita é a história de Humbert Humbert (James Mason), um professor de literatura de meia idade, que se apaixona perdidamente pela enteada Dolores Haze (Sue Lyon), cujo apelido é Lolita, de apenas 14 anos. Completamente obcecado pela menina, ele deixa esse amor proibido (e devidamente consumado, apesar de o filme apenas insinuar o fato) consumir sua vida. Humbert chega a se casar com a mãe da garota, apenas para permanecer ao lado dela, e após a morte da mulher foge com Lolita sem destino em uma viagem de carro. Mas o misterioso Clare Quilty (Peter Sellers) está sempre à espreita do casal. Humbert vai vendo sua razão fugir ao controle à medida em que se aproxima de um final trágico (não, isto não é um spoiler, o destino de Humbert já fica bem evidente desde a primeira cena).

A dificuldade em obter financiamento para Lolita levou Harris e Kubrick a realizarem a produção na Inglaterra, graças a um plano da época, que concedia reduções de custos consideráveis a filmes produzidos no país, com maioria do pessoal britânico. O que era uma forma de viabilizar a produção acabou se tornando um marco na carreira de Stanley Kubrick: ele realizaria boa parte dos seus filmes na Inglaterra a partir dali. Além disso, a química entre ele e Peter Sellers foi tão grande, e a atuação deste tão boa, que os dois voltariam a trabalhar juntos no próximo longa de Kubrick, o qual renderia um dos melhores filmes de Sellers desde sempre.

Lolita

Apesar do tema bastante polêmico, não achei Lolita tão chocante quanto pode parecer. Primeiro porque a relação entre Humbert e Lolita, de fato, permanece no campo das insinuações. Segundo, porque desde o começo do filme Humbert é mostrado como um sujeito detestável e desequilibrado, graças à ótima atuação de Mason (diz-se que Cary Grant teria recusado o papel por causa do tema). Finalmente, fica bem claro que Lolita não é nenhuma menininha inocente. Ela manipula Humbert e abertamente usa da obsessão do padrasto para se beneficiar.

Tecnicamente, Lolita não nega o fato de ser um trabalho de Stanley Kubrick. As cenas conseguem criar toda a tensão necessária à trama, como na ótima sequência da perseguição de carros, uma das melhores do filme ou, a minha favorita, a fantástica cena da conversa entre Humbert e Quilty na varanda do hotel. Aliás, o diálogo inicial entre os dois beira o brilhantismo, e cita até Spartacus.

- Você é o Quilty?
- Não, sou o Spartacus. Veio libertar os escravos?

Lolita

Lolita é um filme que consegue tratar de um tema difícil de uma maneira fantástica e sutil (esse, aliás, é o principal defeito do remake de 1997: ser muito exposto), e talvez por isso mesmo permaneça atual mesmo quase 50 anos depois.

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03/nov 2011

Spartacus (1960) – Projeto Stanley Kubrick

Se Glória Feita de Sangue não rendeu dinheiro, pelo menos fez de Stanley Kubrick um nome conhecido entre quem importava em Hollywood. Por isso mesmo, ele foi contratado por Marlon Brando para dirigir o que viria a ser A Face Oculta, clássico do faroeste. Mas o choque entre o gênio difícil de Brando e o perfeccionismo obsessivo de Kubrick não daria certo: com seis meses de pré-produção, Marlon Brando demitiu o diretor e resolveu ele mesmo tomar as rédeas do filme. Mas o projeto seguinte de Kubrick viria pelas mãos do mesmo Kirk Douglas que estrelara seu filme anterior. Douglas estava produzindo um grande épico, e não estava gostando do trabalho do diretor Anthony Mann, que foi dirigido para dar lugar ao único homem em quem Kirk Douglas confiava para o papel: Stanley Kubrick.

Spartacus é um dos filmes em que a marca pessoal do diretor está menos impressa, mas é ao mesmo tempo um filme fundamental para sua carreira: Kubrick odiou dirigir o longa, pois tinha que se submeter às limitações de ser um empregado, um castigo para quem tinha obsessão pelo controle de sua obra. Por outro lado, ele resolveu definitivamente nunca mais trabalhar como diretor contratado. Ele só entraria em algum projeto se pudesse ter controle absoluto sobre todas as fases da produção. E assim ele fez. A decisão foi tão radical que mais tarde Kubrick renegaria Spartacus. Apesar disso, o filme não chega a destoar do restante de sua obra.

Spartacus

Spartacus é a história (novamente real) de um escravo trácio (Douglas) que lidera uma rebelião iniciada em uma escola de gladiadores mas que logo toma maiores proporções, chegando a derrotar dois exércitos romanos e tomando parte do território da atual Itália.

Como era de se esperar de um filme de Kubrick, o filme causou polêmica quando lançado. O longa foi considerado subversivo (o roteirista, Dalton Trumbo, de tendências esquerdistas, estava na lista negra de Hollywood) e fazia ousadas críticas sociais, apesar de que a intenção de Kirk Douglas nunca foi tocar em nenhum ponto delicado.

Tecnicamente, Spartacus é um épico de respeito. As cenas de batalhas são fantásticas, com destaque para a disputa final entre o exército dos escravos e o romano, cuja tomada da movimentação inicial das tropas talvez seja o ponto alto do longa. A fotografia também é irretocável,e toda a produção é grandiosa. Se Kubrick não teve controle absoluto sobre o filme, pelo menos pôde exercer seu perfeccionismo, refazendo as cenas várias vezes até ficar satisfeito e gravando cada uma de vários ângulos.

Spartacus

O roteiro de Spartacus não teve participação de Kubrick. Talvez por isso mesmo a história aqui não seja tão interessante quanto à dos outros filmes do diretor. O longa inclusive parece arrastado e interminável em diversos momentos (um defeito perigosamente grave, em um filme com mais de três horas de duração). Mas não deixa de ser mais uma demonstração do que Stanley Kubrick era capaz.

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28/out 2011

Glória Feita de Sangue (1957) – Projeto Stanley Kubrick

O ano era 1956. Stanley Kubrick tinha conseguido certo reconhecimento com O Grande Golpe, e a MGM, o maior estúdio da época, se interessou pelo trabalho do diretor. Porém, a parceria da MGM com a Harris-Kubrick, empresa do diretor com o produtor James B. Harris, acabou não se concretizando. Por sorte, Kubrick tinha escrito, junto com Jim Thompson, um roteiro baseado no livro Paths of Glory, de Humphrey Cobb. Eles bateram à porta da United Artists (que já havia produzido O Grande Golpe), que topou financiar o projeto, desde que eles tivessem uma estrela como protagonista. Mais uma vez a sorte estava ao lado do jovem diretor. Kirk Douglas, que sem dúvida se encaixava na exigência, tinha visto e gostado do último filme de Kubrick, e aceitou estrelar a adaptação.

Glória Feita de Sangue

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, 1957) tinha tudo para dar errado. O roteiro, polêmico, tem um discurso antimilitarista e uma visão nada orgulhosa da atuação francesa na Primeira Guerra (tanto que foi banido da França quando lançado). O filme não tem nem uma mulher no elenco (à exceção de Christiane Kubrick, que aparece na emocionante cena final) e, graças ao alto salário de Douglas, o longa não rendeu nem um centavo. No entanto, Kubrick teve a chance de fazer uma produção bem mais caprichada, usando várias câmeras, takes e efeitos que até então ele não tinha tido acesso. E com isso fez um filmaço!

O filme conta a história de uma divisão do exército francês que recebe uma missão considerada impossível, do alto comando: tomar uma colina controlada pelos alemães. Quando a missão fracassa, o general Mireau (George Macready), que ordenou o ataque procura um bode espiatório, levando um trio de soldados à corte marcial, sob a acusação de covardia frente ao inimigo. Em defesa desses homens atua o chefe da tropa, Coronel Dax (Douglas).

O filme mostra a guerra de forma crua e impiedosa, ao contrário da visão romantizada e heroica que era comum nos filmes da época. Não é à toa que o filme causou polêmica. O exército é mostrado como uma instituição cínica e cruel, onde o poder (e seu abuso) vale mais que tudo. Aqui, mais uma vez, Kubrick apresenta personagens longe de serem bons e nobres. Se Mireau chega a ser caricato (apesar de nunca exagerado) na sede de ver suas ordens cumpridas, ao mesmo tempo é um personagem extremamente plausível.

Glória Feita de Sangue

Tecnicamente, Kubrick fez um filme visualmente impactante. Cru e muito bem realizado, o longa chega a ser incômodo em alguns momentos, como na sequência do ataque fracassado, tamanha a realidade que a cena passa. O perfeccionismo do diretor fica evidente (diz-se que ele gastou toneladas de dinamite só em testes para conseguir a explosão perfeita), com cenas muito bem produzidas, mesmo vistas mais de 50 anos depois.

No fim das contas, Glória Feita de Sangue é um filme maravilhoso, sem dúvida o melhor de Kubrick até então. Com uma história interessante (apesar de nada feliz), o filme emociona muito na cena final, quando uma jovem alemã (vivida por Christiane Kubrick, que viria a se casar com o diretor no ano seguinte) é obrigada a cantar para o exército francês. Mais que isso, o filme abriu caminhos para Stanley Kubrick, que iria a seguir dirigir sua primeira superprodução, graças a Kirk Douglas.

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12/out 2011

O Grande Golpe (1956) – Projeto Stanley Kubrick

Embora seja o terceiro longa do diretor, O Grande Golpe (The Killing, 1956) é considerado o filme que, de fato, lançou Stanley Kubrick em Hollywood, e o próprio considera este seu primeiro trabalho realmente profissional. Ele e seu parceiro, o produtor James B. Harris, compraram os direitos de adaptação do livro Clean Brake, de Lionel White, e fizeram um acordo com a United Artists para a produção: o estúdio ofereceu um orçamento de U$ 200 mil, e Harris entrou com U$ 80 mil do próprio bolso e mais U$ 50 mil do pai. O baixo valor não seria problema para Kubrick que, afinal, já havia feito dois longas com muito menos dinheiro.

O Grande Golpe narra a história de um grupo de homens e o ousado assalto a um hipódromo, no dia de uma corrida muito importante. O líder da gangue é Johnny Clay (Sterling Hayden), que arquiteta um meticuloso plano, executado estrategicamente, quase como um jogo de xadrez (xadrez, aliás, que sempre foi uma das grandes paixões de Kubrick), cobrindo todas as arestas para que o assalto seja um crime perfeito.

O Grande Golpe (The Killing)

O maior trunfo do filme é sua narrativa não-linear, herdada do livro e espertamente mantida por Kubrick na edição. O filme chegou a ser muito criticado, por causa dessa estrutura não-linear que, apesar de não ter sido usada pela primeira vez aqui, não era comum na época, e pegou desprevenido um público acostumado com narrativas mais simples. Porém, o longa serviu para fazer com que Kubrick passasse a ser conhecido como um novo diretor a se prestar atenção, chegando a ser comparado, pela revista Time, a Orson Wells e seu Cidadão Kane (a influência deste em O Grande Golpe é clara).

O Grande Golpe é desses filmes que passam voando, graças à trama interessante e coesa, que consegue prender a atenção do início ao fim (e que fim!). A impressão que se tem é que o longa não tem nem uma cena sobrando, que tudo ali é essencial para a história, sem enrolação. Se a narrativa não-linear já havia sido utilizada antes, Kubrick inaugurou uma forma diferente de conta a história: mostrando o mesmo fato por diversos pontos de vista, de forma que o quadro completo da história só pode ser entendido após a união destes pontos de vista.

O Grande Golpe (The Killing)

Embora seja apenas o segundo filme de Kubrick, já é possível visualizar várias características autorais, que viriam a marcar toda a sua obra, como o extremo perfeccionismo do diretor, e seu rigor estético. A própria temática do filme já esboça aquela que seria a visão do diretor em toda a sua obra: a imperfeição do ser humano. Kubrick sempre preferiu mostrar o lado negro do homem, seu lado frio, vil, obscuro. E aqui não é diferente.

O Grande Golpe pode não ser ainda a obra-prima de Stanley Kubrick (apesar de haver quem o considere seu melhor filme), mas já demonstra muito do que ele viria a ser mais à frente. E, mais que isso, já evidencia a existência de um diretor que, embora ainda em formação, é melhor do que muitos realizadores já estabelecidos.

Este post é parte do Projeto Stanley Kubrick. Clique no link para conhecer a ideia e ler os outros textos do projeto.

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07/out 2011

A Morte Passou Por Perto (1955) – Projeto Stanley Kubrick

Rigorosamente, o primeiro longa de Stanley Kubrick é Medo e Desejo, de 1953. Mas como o filme é uma produção independente do diretor, sem distribuição comercial, não o encontrei disponível em lugar nenhum. Por isso, vamos começar pelo primeiro filme comercial de fato de Kubrick, que é este A Morte Passou Por Perto, de 1955 (Killer’s Kiss, no original). O filme tem orçamento ínfimo (míseros U$40 mil), diversos defeitos de produção e uma história absolutamente sem graça. Ainda assim, dá pra ver ali vários elementos que mais tarde fariam de Stanley Kubrick um diretor genial.

Killer's Kiss

O filme tem todo um clima noir, e conta a história de Davey Gordon (Jamie Smith), um boxeador fracassado que se envolve com Gloria Pierce (Irene Kane), sua vizinha, uma dançarina que ele salva quando ela estava sendo atacada pelo chefe (e amante) dela, Vincent Rapallo (Frank Silvera). Quando Davey resolve ir embora da cidade com Gloria, ele desperta a ira de Vincent.

Vale comentar que o ponto fraco do filme diz respeito ao som. Isso porque, por falta de recursos, todos os diálogos e efeitos sonoros foram gravados posteriormente às filmagens, em estúdio. Com isso, os sons soam artificiais em vários momentos do longa, e às vezes aparecem até sem sincronia.

Apesar da produção capenga e da trama chata e previsível, A Morte Passou Por Perto consegue segurar a atenção durante seus 67 minutos de projeção, e aí está o mérito de Kubrick. Através de enquadramentos inspirados e uma boa edição, ele chega a fazer com que esqueçamos que este é um filme B dos anos 50. A cena da última luta de Davey, por exemplo, é fantástica. A câmera se posiciona espertamente entre os lutadores, e não deve em nada a filmes de boxe mais modernos.

Killer's Kiss

A sequência final também merece destaque, fazendo da perseguição de Vincent a Davey, e da briga entre os dois, um momento memorável do filme, através da criação de uma cena cheia de suspense e emoção.

Apesar de ser um filme menos conhecido e com menos méritos que o resto da filmografia de Kubrick, A Morte Passou Por Perto vale como amostra do primeiro passo da evolução do diretor, que aqui já dá evidências de que leva jeito para a coisa.

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06/out 2011

Projeto Stanley Kubrick

Existe um quarteto de diretores que eu admiro de verdade. É o grupo Kubrick-Scorsese-Spielberg-Allen. São caras que eu gosto de quase tudo que fizeram e, sempre que sei sobre o lançamento de um novo filme (à exceção de Kubrick, obviamente), já fico atento.

Mas, apesar de estarem entre os meus diretores favoritos, há poucos dias constatei, refletindo, uma cruel realidade: eu não vi todos os filmes deles. De alguns, nem metade. Por isso, inspirado pelo Projeto Agatha Christie da Tábata no Happy Batatinha, resolvi criar o meu próprio projeto. A ideia é ver (ou rever) todos os filmes desses diretores, de preferência na ordem cronológica, e postar uma pequena resenha sobre eles, para inspirar quem não viu a ver, ou simplesmente dividir minhas impressões com quem já viu. E por quem vamos começar?

Stanley Kubrick

Stanley Kubrick. E há uma razão para isso: apesar de ser, dos quatro diretores, o que tem a menor filmografia, é aquele de quem eu vi o menor número de filmes. Os longas dele são, na ordem (do IMDb):

A Morte Passou Por Perto (1955)
O Grande Golpe (1956)
Glória Feita de Sangue (1957)
Spartacus (1960)
Lolita (1962)
Dr. Fantástico (1964)
2001 – Uma Odisséia no Espaço (1968)
Laranja Mecânica (1971)
Barry Lyndon (1975)
O Iluminado (1980)
Nascido Para Matar (1987)
De Olhos Bem Fechados (1999)

À medida em que for vendo os filmes e escrevendo sobre, volto aqui e linko para os respectivos posts. Assim, este post fica sendo o “porto seguro” do Projeto Stanley Kubrick. Vamos nessa? Você me acompanha?

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