Um Lugar Para Ficar, de Deb Caletti
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Clara é uma garota comum de 17 anos que, um dia, conhece Christian em um jogo de basquete da escola. O amor acontece à primeira vista. Pudera, o rapaz é simpático, inteligente e tem um belo par de olhos azuis. A relação, que começa como uma paixão intensa e avassaladora, logo vai se transformando em um namoro tenso e doentio. Christian é ciumento e obsessivo, e quando Clara se dá conta disso, já é tarde demais. O rapaz está disposto a fazer qualquer coisa para ficar ao lado dela, mesmo que contra sua vontade. Para fugir da situação, Clara se muda com seu pai, mas ainda precisa vencer o medo que ficou, e fugir da presença de Christian que, mesmo não sabendo onde a garota está, a espreita o tempo todo.
Um Lugar Para Ficar é um livro tenso. A autora Deb Caletti constrói sua narrativa de forma a ir revelando, aos poucos, o que levou Clara a tomar a atitude extrema de se mudar sem contar para niguém, fugindo do namorado obsessivo. Assim, o livro vai alternando os capítulos que contam como se desenvolveu a relação entre Clara e Christian com aqueles que mostram a nova vida da garota em Bishop Rock, uma pequena comunidade à beira-mar
A grande qualidade de Um Lugar Para Ficar está justamente nessa forma de contar a história, costurando passado e presente e gerando uma tensão crescente, que torna quase impossível largar a leitura antes do fim. Além disso, o tema do livro é bastante pertinente, principalmente em se tratando de uma obra voltada primeiramente para um público mais jovem. Esse tipo de relação obsessiva e doentia é mais comum do que podemos imaginar, e o livro serve como um alerta. A própria Clara, a princípio, não enxerga os problemas de seu namoro com Christian, e é interessante como aos poucos ela vai percebendo que há algo errado ali.
Apesar de ter ficado bastante satisfeito com a leitura, alguns pontos da trama me incomodaram um pouco. Por exemplo, a forma quase cega com que Clara se entrega à reação com Christian no começo me pareceu um pouco exagerada. Além disso, achei que a garota se rendeu muito facilmente a uma nova relação, apesar do forte trauma que carregava. Por fim, achei as tramas paralelas do livro, em especial a história do pai de Clara e o segredo por ele guardado, meio desinteressantes. Inclusive, a conclusão dessa subtrama serviu, para mim, quase como um balde de água fria, justamente no momento em que o livro caminhava para seu clímax.
Por fim, devo destacar a sempre competente edição da Novo Conceito. Mas, dessa vez, não gostei muito da capa, achei que não passa bem o clima do livro, fora que a imagem sempre me dá uma impressão de que já a vi antes em algum lugar. Mas nada disso estraga o prazer de ler Um Lugar Para Ficar. A autora Deb Caletti consegue entregar uma obra relevante, bem construída, que consegue prender o leitor e faz pensar. E, vamos combinar, isso não é pouca coisa.



Antes que você me chame de herege e me xingue no Twitter, vamos à história: Starters se passa em um mundo distópico, em que uma guerra matou todas as pessoas com mais de 20 e menos de 60 anos. Nesse mundo, só sobraram os jovens (chamados de starters), marginalizados, proibidos de trabalhar e que, por isso, com raras exceções, vivem nas ruas, lutando para sobreviver, e os idosos (os enders) que graças à tecnologia avançada vivem, até além dos 200 anos, uma vida de riqueza e luxo. É nesse contexto que conhecemos Callie, uma garota que faz o que pode para cuidar do irmão, Tyler, um garotinho de 7 anos com problemas de saúde. É quando ela descobre a Prime Destinations, uma empresa que paga quantias vultuosas para que jovens aluguem seus corpos para idosos. É isso mesmo. Os enders alugam corpos de starters, para viver a juventude novamente, que suas idades avançadas não mais permitem, ainda que por um tempo determinado. É a solução para os problemas de Callie, ela pensa. Mas as coisas não dão muito certo. Em vez de passar todo o tempo do aluguel dormindo, que é o procedimento padrão, Callie se vê acordada no meio dos planos que Helena, a ender que alugou seu corpo, traçou para cometer um assassinato. E, pior, Callie começa a ouvir a voz da idosa em sua mente, e tem que fingir que ainda está sob o controle de Helena.



O livro é todo narrado em primeira pessoa por Kim, que conta, desde que se conheceram, passando pelo acidente e pela recuperação, toda a história de seu casamento com Krickitt. E foi aí que tive o primeiro incômodo com o livro. Como a obra é assinada pelo casal, achei que as impressões de Krickitt também estariam presentes, mas à exceção de alguns pequenos trechos reproduzidos do diário dela, somente Kim fala. Isso acaba empobrecendo um pouco a história. Senti muita falta de mais descrições e impressões dos autores. Em vários momentos Kim se limita a narrar os fatos, com uma escrita que deixa um pouco a desejar. Outra coisa que me incomodou um pouco foi o tom de autoajuda e o excesso de religiosidade na fala do narrador, o que torna o livro um pouco cansativo e menos interessante em certos momentos.



