Não Tenha Medo do Escuro
Tweet
Eu confio em Guillermo del Toro, produtor e roteirista de Não Tenha Medo do Escuro. O cara que fez Labirinto do Fauno não podia me decepcionar. E não decepcionou. Apesar de não ser um filme perfeito e, se pararmos para pensar, ser cheio de problemas, o longa cumpre sua função como filme de terror: eu fiquei tenso e passei por um misto de sensações nas quase duas horas de projeção.

A trama não podia ser mais clichê: baseado em um telefilme obscuro dos anos 70, temos mais uma história de casa mal assombrada. Mas, ao contrário de 90% dos filmes do gênero (que está na moda, com o seriado American Horror Story), aqui não temos uma casa assombrada por pessoas mortas no passado, mas um porão repleto de pequenas criaturinhas maléficas, que só querem saber de matar pessoas para comer seus dentes (especialmente de crianças). Em certo ponto do filme, são descritos como fadas. Fada dos dentes, sacou?
O casal Alex (Guy Pearce) e Kim (Katie Holmes) estão às voltas com a reforma de um casarão antigo, para onde se mudam com a filha de Alex, Sally (Bailee Madison), um garotinha atormentada e introvertida, que logo começa a ouvir vozes vindas do porão a chamando para brincar. A menina inadvertidamente acaba liberando as tais criaturinhas, que a princípio ela pensa serem pacíficas, mas logo mostram o contrário, ao atacar um dos empregados da mansão. A partir daí, a garota faz de tudo para convencer ao pai e à madrasta que a casa não é segura, ao mesmo tempo em que se esquiva dos ataques das criaturinhas do mal. Mas é claro que ninguém acredita nela, até que seja tarde demais.

O principal mérito de Não Tenha Medo do Escuro está nas mãos da garotinha Bailee Madison. Desde o primeiro momento em que ela aparece, dá pra ver que é uma menina atormentada, com uma expressão adulta que, confesso, já me deixou tenso, me fazendo perguntar onde é que eles arrumam essas crianças sinistras em Hollywood. Mas depois que você vê a carinha de Bailee descaracterizada da personagem, você percebe que ela é sim uma atriz e tanto.
Claro que o filme tem um personagem que dá vontade de socar: Alex, o pai de Sally. Ele vê coisas estranhas acontecendo, como o empregado da casa todo esbugalhado, e acredita ser apenas um acidente, Sally quase enlouquecendo de pânico, e insiste em colocar a menina para dormir sozinha no escuro e, pior, ainda dopa a garota com tranquilizantes. E, cá entre nós, quem em sã consciência vai morar em um casarão abandonado no meio do nada, e ainda leva uma garotinha indefesa junto? Aliás, é isso que mais irrita nessas histórias de casas mal assombradas. Será que as pessoas não desconfiam que um imóvel que, em condições normais, elas nunca teriam dinheiro para comprar ou alugar, só pode esconder algo de muito ruim? Será que eles não veem filmes de terror?
Finalmente, os monstrinhos do filme: confesso que me decepcionei quando os vi agindo. Eles parecem frágeis demais para bichinhos que causam tanto mal, e a própria Sally chegar a matar facilmente alguns deles. Outra coisa que me incomodou um pouco foi quando eles aparecem juntos dos humanos (especialmente em uma cena com Sally na biblioteca), e fica fácil perceber que eles foram inseridos digitalmente.

Mas isso não chega a estragar o filme, cuja direção é de Troy Nixey, um diretor novato e fã confesso de del Toro. Não Tenha Medo do Escuro não é daqueles filmes de terror que vai fazer você perder o sono (ei, mas isso não é uma coisa boa?), mas vai garantir momentos de tensão e uns bons sustos. E no final, você vai se pegar quase na ponta da cadeira, torcendo para que aquela família se livre daquele pavor.
Tags: Bailee Madison, Guillermo del Toro, Guy Pearce, Katie Holmes, Não Tenha Medo do Escuro, Troy Nixey


Don’t be afraid of the dark
Melancolia
