04/nov 2011

Não Tenha Medo do Escuro [Crítica XVIII]

Eu confio em Guillermo del Toro, produtor e roteirista de Não Tenha Medo do Escuro. O cara que fez Labirinto do Fauno não podia me decepcionar. E não decepcionou. Apesar de não ser um filme perfeito e, se pararmos para pensar, ser cheio de problemas, o longa cumpre sua função como filme de terror: eu fiquei tenso e passei por um misto de sensações nas quase duas horas de projeção.

Não Tenha Medo do Escuro

A trama não podia ser mais clichê: baseado em um telefilme obscuro dos anos 70, temos mais uma história de casa mal assombrada. Mas, ao contrário de 90% dos filmes do gênero (que está na moda, com o seriado American Horror Story), aqui não temos uma casa assombrada por pessoas mortas no passado, mas um porão repleto de pequenas criaturinhas maléficas, que só querem saber de matar pessoas para comer seus dentes (especialmente de crianças). Em certo ponto do filme, são descritos como fadas. Fada dos dentes, sacou?

O casal Alex (Guy Pearce) e Kim (Katie Holmes) estão às voltas com a reforma de um casarão antigo, para onde se mudam com a filha de Alex, Sally (Bailee Madison), um garotinha atormentada e introvertida, que logo começa a ouvir vozes vindas do porão a chamando para brincar. A menina inadvertidamente acaba liberando as tais criaturinhas, que a princípio ela pensa serem pacíficas, mas logo mostram o contrário, ao atacar um dos empregados da mansão. A partir daí, a garota faz de tudo para convencer ao pai e à madrasta que a casa não é segura, ao mesmo tempo em que se esquiva dos ataques das criaturinhas do mal. Mas é claro que ninguém acredita nela, até que seja tarde demais.

Não Tenha Medo do Escuro

O principal mérito de Não Tenha Medo do Escuro está nas mãos da garotinha Bailee Madison. Desde o primeiro momento em que ela aparece, dá pra ver que é uma menina atormentada, com uma expressão adulta que, confesso, já me deixou tenso, me fazendo perguntar onde é que eles arrumam essas crianças sinistras em Hollywood. Mas depois que você vê a carinha de Bailee descaracterizada da personagem, você percebe que ela é sim uma atriz e tanto.

Claro que o filme tem um personagem que dá vontade de socar: Alex, o pai de Sally. Ele vê coisas estranhas acontecendo, como o empregado da casa todo esbugalhado, e acredita ser apenas um acidente, Sally quase enlouquecendo de pânico, e insiste em colocar a menina para dormir sozinha no escuro e, pior, ainda dopa a garota com tranquilizantes. E, cá entre nós, quem em sã consciência vai morar em um casarão abandonado no meio do nada, e ainda leva uma garotinha indefesa junto? Aliás, é isso que mais irrita nessas histórias de casas mal assombradas. Será que as pessoas não desconfiam que um imóvel que, em condições normais, elas nunca teriam dinheiro para comprar ou alugar, só pode esconder algo de muito ruim? Será que eles não veem filmes de terror?

Finalmente, os monstrinhos do filme: confesso que me decepcionei quando os vi agindo. Eles parecem frágeis demais para bichinhos que causam tanto mal, e a própria Sally chegar a matar facilmente alguns deles. Outra coisa que me incomodou um pouco foi quando eles aparecem juntos dos humanos (especialmente em uma cena com Sally na biblioteca), e fica fácil perceber que eles foram inseridos digitalmente.

Não Tenha Medo do Escuro

Mas isso não chega a estragar o filme, cuja direção é de Troy Nixey, um diretor novato e fã confesso de del Toro. Não Tenha Medo do Escuro não é daqueles filmes de terror que vai fazer você perder o sono (ei, mas isso não é uma coisa boa?), mas vai garantir momentos de tensão e uns bons sustos. E no final, você vai se pegar quase na ponta da cadeira, torcendo para que aquela família se livre daquele pavor.

Categoria: Cinema, Críticas

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08/mai 2011

Cinco filmes para esperar de pé em 2011

Aperte os cintos e veja alguns filmes que chegam ao cinema nos próximos meses de 2011 e valem a nossa espera:

Super 8
No verão de 1979, um grupo de amigos numa pequena cidade de Ohio testemunha um acidente catastrófico de trem, enquanto faziam um filme com uma câmera Super 8, e logo passam a suspeitar que não foi um acidente. Pouco tempo depois, pessoas e animais começam a desaparecer e eventos inexplicáveis acontecem na cidade e o delegado tenta descobrir a verdade — algo muito mais aterrorizante do que qualquer um imaginou um dia.
[Estreia] 12 de agosto no Brasil, 10 de junhos nos EUA
[Porque vale a espera] Produzido por Steven Spielberg, dirigido por J.J. Abrams, e com essa sinopse, quer mais alguma coisa? Então veja o trailer abaixo:

 

Don’t be afraid of the dark
Uma menina (Bailee Madison) se muda com o pai (Guy Pearce) e a nova namorada (Katie Holmes) para uma nova casa, onde criaturas querem leva-la como se fsse um deles. Remake de um telefilme dos anos 70.
[Estreia] 26 de agosto, nos EUA
[Porque vale a espera] Além de ter roteiro e produção de Guilermo del Toro, o que por si só já valeria a espera, o trailer é de pular da cadeira, e quem viu a versão original de 1973 diz que é um dos filmes de terror mais assustadores já feitos.

The Future
Um casal vê sua vida mudar depois de adotar um gato abandonado.
[Estreia] 29 de julho, nos EUA
[Porque vale a espera] O filme, estrelado pela atriz Miranda July, é narrado pelo próprio gato, que entrecorta a ação com monólogos inspirados. Fala sério se não dá de vontade de ver como isso va funcionar.

Melancolia
Os recém-casados Justine (Kirsten Dunst) e Michael (Alexander Skarsgard) vivem felizes, até que um planeta (o tal Melancholia do título original) começa a se aproximar da Terra, o que faz Justine entrar numa depressão profunda, abalando também seu relacionamento com a irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg).
[Estreia] 4 de novembro, nos EUA, e em maio em vários países (inclusive na França, no Festival de Cannes, onde concorre à Palma de Ouro)
[Porque vale a espera] O novo longa de Lars Von Trier (Dogville, Dançando no Escuro) começa pelo fim: o fim do mundo. A partir daí, a história volta no tempo, mostrando como as coisas chegaram até ali, e as consequências nas vidas dos personagens. Além disso, o filme conta com um elenco exemplar: Kirsten Dunst, a cantora Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgard (o Eric de True Blood) e o eterno Jack Bauer, Kiefer Sutherland.

 

One Day
Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess) se conhecem na noite de suas formaturas, em 15 de julho de 1988. A história revisita os dois a cada ano, na mesma data, por 20 anos.
[Estreia] 19 de agosto, nos EUA
[Porque vale a espera] One Day, o livro de David Nichols (sobre o qual ainda vou falar por aqui em breve) é best-seller indiscutível, e a espera já vale só para ver como a adaptação vai ficar. O trailer (que, dizem, está cheio de spoilers para quem não leu o livro e, por isso, eu não vi) já está disponível.

Categoria: Cinema, Listas

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