08/fev 2012

Os Descendentes [Crítica XXXV]

Logo no começo de Os Descendentes (The Descendants), Matt King, o personagem de George Clooney, diz que todos os seus amigos acham que, só porque ele vive no Havaí, sua vida é uma alegria só, regada a surfe, bebidas e hula-hula. “Eles são loucos? Acham que somos imunes à vida?”, Matt pergunta. “Como é possível achar que nossas famílias erram menos, temos cânceres menos fatais, enxaquecas menos dolorosas?”.

Os Descendentes

As enxaquecas de Matt são sim bastante dolorosas. Sua esposa, Elizabeth, sofreu um acidente de barco, está em coma há 23 dias, somente esperando pela morte. Sua família está às voltas com a venda de um imenso terreno que vale uma verdadeira fortuna, herança de um parente distante na árvore genealógica, e Matt  é o responsável por escolher o comprador ideal. Sua filha mais velha, Alexandra (Shailene Woodley), é uma garota que vive caçando confusão com fugas e bebidas no colégio em que estuda, enquanto Scottie (Amara Miller) é uma menina precoce, que solta palavrões com uma facilidade incrível. Matt, que nunca foi um pai dos mais presentes, aproveita o momento difícil para tentar se reconectar às meninas. Para piorar a situação, ele descobre que a esposa tinha um caso com um agente imobiliário (Matthew Lillard), bem embaixo de seu nariz.

Os Descendentes

Os Descendentes é um belo filme, em que, mais do que a trama, que poderia muito bem ser a de um dramalhão mexicano, tem todo o seu destaque focado nos atores. George Clooney entrega sua melhor performance, em uma atuação cuja sinceridade comove e, se o mundo for justo, vai ganhar o Oscar. As meninas Shailene Woodley e Amara Miller dão show, apesar da pouca experiência em tela. E Judy Greer, que tem apenas três cenas como a esposa do amante de Elizabeth, brilha como nunca.

Os Descendentes

Um dos grande trunfos de Alexander Payne, o diretor de Os Descendentes, é conseguir dar ao filme um balanço entre um drama devastador e comédia para rir alto, contando uma história que é ao mesmo tempo trágica, mas dá aquela sensação de bem estar que só o bom cinema consegue. O Havaí, mais que um cenário, é personagem da trama. Acostumado a ver o 50º estado americano como um paraíso ensolarado e paradisíaco? Pois aqui o Havaí é visto quase sempre com tempo nublado, quase inóspito, assim como é a vida de Matt King e sua família.

Categoria: Cinema, Críticas

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01/fev 2012

Veja os oscarizáveis de 2012 em belas fotos para a Newsweek

Charlize Theron, Michael Fassbender e George Clooney

A Newsweek promove todo ano uma mesa de conversa com alguns dos indicados ao Oscar. A desse ano foi muito boa, e incluiu alguns dos nomes mais bacanas da premiação. E o mais legal de tudo são as lindas fotos que foram tiradas pelo fotógrafo da revista, Gavin Bond, dos astros que participaram do papo. Veja só, tem até o cãozinho simpático de O Artista (que, acredito, não tenha participado da conversa):

Charlize Theron
Charlize Theron

George Clooney
George Clooney

Tilda Swinton
Tilda Swinton

Michael Fassbender
Michael Fassbender

Viola Davis
Viola Davis

Christopher Plummer
Christopher Plummer

Uggie
Uggie, o cãozinho de O Artista

Vi no Playlist.

Categoria: Cinema, Jornalismo

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09/jan 2012

Tudo Pelo Poder [Crítica XXX]

A política é um jogo. Um jogo em que vence aquele que tem a melhor estratégia, e não necessariamente aquele que tem as melhores ideias ou é o mais honesto. Essa definição resume a tônica de Tudo Pelo Poder, excelente drama político dirigido por George Clooney, e que tem tudo para ser destaque na temporada de premiações.

Na trama, Clooney é Mike Morris, governador da Pennsylvania disputando as primárias democratas para a presidência dos EUA. Ele é um cara honesto, carismático e com valores sólidos, e tem uma equipe competente por trás. Seu chefe de campanha é Paul Zara (Philip Seymour Hoffman, fazendo um dos personagens mais interessantes do longa), e este conta com a ajuda do assessor de imprensa Stephen Meyers (Ryan Gosling). É o personagem de Gosling o protagonista do longa. Ele é um sujeito idealista e um tanto ingênuo que, a duras penas, vai aprendendo que na política não há lugar para bonzinhos.

Tudo Pelo Poder

O roteiro de Tudo Pelo Poder, baseado em uma peça de teatro, é muito bem construído. Enquanto o candidato Morris é o protótipo do político que qualquer um de nós gostaria de conhecer (a inspiração em Obama, ou naquilo que todos esperavam que ele fosse, é clara), todos à sua volta usam os artifícios que têm à mão (e nem sempre são os mais limpos) para ganhar a disputa e se dar bem. E isso inclui Tom Duffy (Paul Giamatti), como o chefe de campanha adversária, e até a jornalista Ida, de Marisa Tomei.

Uma das coisas mais bacanas de Tudo Pelo Poder é que o jogo sujo se concentra no partido republicano e, mais que isso, quase que somente dentro da própria campanha de Morris, mostrando que o jogo político não depende da existência de adversários. Achei o filme, nesse sentido, bastante pessimista. Todos os personagens agem, em algum momento, de forma duvidosa e falham moralmente (à exceção do Paul Zara de Hoffman), e o longa faz questão de mostrar que é assim que se faz política. E o faz de forma bastante inteligente, com uma trama extremamente bem construída.

Tudo Pelo Poder

Tudo Pelo Poder é, sem dúvida, uma bola dentro de George Clooney. O filme é, tecnicamente falando, impecável. As soluções de fotografia, por exemplo, se integram fielmente às intenções da história (veja a cena entre Morris e Stephen em uma cozinha à meia-luz), e há muito tempo não via um elenco tão afiado. Ryan Gosling entrega aqui uma de suas melhores atuações, e não duvido que 2011 tenha sido o ano dele.

Categoria: Cinema, Críticas

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27/jul 2011

Veja poster de The Ides of March, novo filme de George Clooney

Saiu o primeiro pôster de The Ides of March, drama político estrelado e dirigido por George Clooney, com Ryan Gosling, que estreia nos EUA em outubro. O filme conta a história de um candidato à presidência dos Estados Unidos (Clooney) e um dos membros do staff de sua campanha (Gosling), durante um escândalo político que pode render a candidatura.

O filme é baseado em uma peça de teatro, e George Clooney já pensava em adapta-lo há algum tempo, mas esperou passar a onda de euforia política que sucedeu a eleição de Obama.

The Ides of March

The Ides of March é daqueles filmes que merecem toda a nossa atenção, porque tem um elenco irretocável (Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood e Paul Giamatti no mesmo filme? Uau!), e já está sendo considerado por muita gente como um sério candidato ao Oscar 2012. O longa ainda não tem data para chegar ao Brasil, e terá sua primeira exibição em 31 de agosto, abrindo o Festival de Veneza.

** UPDATE **
(28/07) E saiu o primeiro trailer do filme:

Categoria: Cinema

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