06/dez 2011

Mais sobre o Recanto de Gal

À medida que se aproxima o lançamento de Recanto, o disco de Gal Costa com músicas do Caetano Veloso, vamos tendo acesso a mais informações sobre o álbum. A dupla foi entrevistada ontem no Programa do Jô, e em mais de uma hora de conversa mostraram várias canções de Recanto. Dá pra assistir a entrevista inteirinha no site do programa.

E a Rádio UOL já deixa você ouvir cinco das onze músicas do álbum. Achei interessante, mas não vou analisar antes de ouvir o disco todo. Mas a que mais gostei até agora foi Recanto Escuro. Veja a execução da primeira faixa de Recanto por Caetano e Gal no Programa do Jô:

Categoria: Música

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29/nov 2011

O Recanto de Gal Costa

Minha relação com Gal Costa é antiga, e já teve seus altos e baixos. Conheço Gal de nome desde sempre, mas pra mim era mais uma daquelas cantoras que só gente velha gostava. Foi em 1997, quando ela lançou seu Acústico MTV, que comecei a dar mais atenção àquela voz. Para um moleque de 16 anos, nada mais confuso, e até vergonhoso, do que gostar de uma cantora que já cantava nos anos 60, e figurava na estante de discos dos pais. Preconceituoso, eu sei, mas é assim que pensa um adolescente buscando a aceitação social.

Gal Costa
Foto de Gabriel Rinaldi, para a Bravo! de dezembro

Não acompanhei muito de perto a carreira de Gal desde então, mas vira e mexe colocava alguma coisa dela pra ouvir. Quando ela lançou o disco Hoje, em 2005, eu pirei de verdade. Ouvi aquele disco até enjoar, e parti para buscar o resto da obra dela. Mas nossa relação sofreu um baque em 2007. No dia 7 de outubro daquele ano, ela faria um histórico show aqui em Juiz de Fora, no maravilhoso Cine-Theatro Central. Depois de esperar quase uma hora na fila em frente ao teatro, a surpresa: Gal cancelara a apresentação. As informações vinham truncadas, mas parecia que o contratante tinha dado o calote na cantora que, irritada, deixou a cidade de táxi (ela teria pago R$ 300,00 na corrida JF-Rio). Muito embora a culpa aparentemente não tenha sido de Gal, depois disso tomei birra dela, ainda mais porque a cantora nunca se pronunciou para os fãs sobre o ocorrido, e a história toda ficou carente de uma explicação oficial (sem contar as 50 pratas do ingresso, que nunca foram devolvidas). Mas confesso que esperava uma oportunidade para fazer as pazes com ela.

Caetano Veloso, por outro lado, me chamou a atenção bem mais tarde. Foi em 2006, quando ele lançou , disco que modernizou sua carreira e abriu meus olhos. Apesar de não ter pirado tanto com o disco especificamente, o lançamento fez com que eu ouvisse com atenção tudo o que Caetano faz, e admiro o cara cada vez mais desde então.

Gal Costa - Recanto

Conto isso tudo pra poder dizer que estou realmente ansioso para ouvir o fruto da parceria entre os dois no disco novo de Gal, Recanto, só com composições de Caetano (9 inéditas e 2 regravações), que chega às lojas na semana que vem. Se em e Zii e Zie Caetano flertava com o rock, aqui o compositor resolveu experimentar a música eletrônica, e achou que a voz de Gal encaixava melhor no conceito. Marcus Preto diz, na Folha de São Paulo de hoje, que Neguinho, primeira música de trabalho de Recanto, poderia estar facilmente no repertório de Lady Gaga. Tem como não esperar ansiosamente por isso?

Veja só a bela crítica que Preto escreveu para a Folha:

Caetano precisou de uma voz que não fosse a sua para seguir com suas experiências. Ele voltou a essa toada em 2006, quando compôs “Cê”, seu trabalho mais experimental desde 1972. E, sozinho, não conseguiria replicar o impacto que o álbum causou.

Foi então que planejou “Recanto”, com a melhor vocalista que teve na vida, Gal.

Ela estava, como ele antes de “Cê”, em fase de quase inércia. Se Caetano, em 2004, vinha de um CD em que cantava standards da música americana, ela saiu há pouco de uma série de trabalhos em que repetia velhos clássicos de Tom Jobim, de Caymmi, dela própria.

Ouvir Gal cantando melodias e letras tão arrojadas -e, mais que isso, levadas sobre arranjos eletrônicos distantes da caretice de seu passado recente- causa estrondo proporcional ao de “Cê”, em seu lançamento.

É álbum de ruptura, mesmo que Gal abandone essa praia depois de encerrada a temporada de shows. “Recanto” é um disco de Caetano, ambos assumem.

Mas é ingênuo comprar a ideia de que seja um trabalho em que Gal pudesse ser substituída por outra. Tanto que muitas das letras foram construídas especificamente para a história dela.

Caetano retoma temas recorrentes no cancioneiro que produziu para Gal no passado. Em “Autotune Autorerótico”, retoma a grandeza que só a voz dela lhe proporciona, “os caminhos que levam à grande beleza”.

O experimento e a tradição se misturam. Há samba de roda e funk carioca, música para a pista de dança e bossa nova, com piano de Daniel Jobim, neto de Tom Jobim.

Talvez os fãs mais “clássicos” de Gal não aprovem tanta ousadia – Caetano perdeu alguns desde “Cê”. Mas é necessário que ela se movimente. Que salte, mesmo sendo carregada. Caetano a convidou a, de novo, mudar o mundo. Ela foi, sem medo do tombo.

Aqui dá pra ouvir um trecho de Neguinho, e eu achei bem interessante (e bem a cara de Caetano):

Categoria: Música

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11/jul 2011

Veja Gal e Caetano na Rolling Stone desse mês

Olha que coisa mais linda a capa da revista Rolling Stone desse mês, com Caetano Veloso e Gal Costa:

Rolling Stone com Caetano Veloso e Gal Costa

A motivação da capa é o lançamento iminente do novo disco dela, todo de canções dele, todas inéditas, que deve se chamar Doce. Dá pra perder? A matéria tem a assinatura de Ronaldo Evangelista, e só por ela já tá valendo o preço da revista.

Categoria: Jornalismo, Música

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10/jun 2011

João Gilberto, 80 anos

João Gilberto

10 de junho de 1931. Nenhum outro gênero musical tem data de nascimento tão exata quanto a bossa nova. Foi nesse dia que, em Juazeiro, Bahia, nascia João Gilberto Prado Pereira de Oliveira. E ninguém há de discordar que a bossa nova é João Gilberto, e não há melhor expressão da bossa nova que João Gilberto. Porque se as letras de Vinicius e as melodias de Tom são marcas inconfundíveis da bossa nova, a interpretação sem exageros de João, munido apenas de um violão e sua voz, usada como se estivesse conversando, mais falando que cantando, é o pulo do gato do gênero.

João GilbertoJoão Gilberto é polêmico por seu perfeccionismo, que já criou situações embaraçosas, por se recusar a cantar em locais cuja qualidade do som não esteja próxima da perfeição. João Gilberto é conhecido por seu isolamento. Ele não dá entrevistas, não aparece em público senão nos seus cada vez mais escassos shows (dizem que, este ano, ele comemora os 80 anos com os últimos shows de sua carreira) e diz-se que ele aprendeu sua técnica ensaiando no banheiro da casa da irmã, cujos azulejos proporcionavam a acústica que ele procurava. João Gilberto é mítico por suas manias e histórias. No começo dos anos 80, por exemplo, seu momento mais recluso era tão intenso que até a faxina do quarto que ocupada em um apart-hotel no Rio era feita por ele mesmo, para evitar o contato com outras pessoas.

Foi em 1957, aos 26 anos, que João Gilberto chegou ao Rio, pronto para alavancar a revolução da Bossa Nova. Quando Tom Jobim o conheceu e quis que o amigo gravasse uma de suas composições com Vinicius de Moraes, Chega de Saudade, estava pronta a receita que iria mudar a história da MPB. Não é à toa que todo mundo se lembra de quando ouviu João Gilberto pela primeira vez. Em 1959 saiu o álbum de mesmo nome, o primeiro da irretocável carreira do músico.

A parceria com o saxofonista Stan Getz levou a música de João para o resto do mundo, e o disco dos dois rendeu ao garoto de Juazeiro quatro Grammys (batendo até os Beatles na disputa). Seu estilo econômico e perfeccionista é refletido também no conjunto de sua obra. Entre 1959 e 2006, quase 50 anos, foram apenas 17 álbuns, com espaços entre si que chegam a até 6 anos. Mas todos, sem exceção, gemas lapidadas do cancioneiro popular do Brasil.

João Gilberto

Mas, mais que falar sobre sua história, João Gilberto tem uma extensa obra que demonstra sua importância para a música brasileira. Basta olhar a quantidade de gente boa que já gravou as músicas cantadas pelo gênio incontrolável de João Gilberto. Por isso, a homenagem deste blog a João Gilberto é na forma de uma coletânea de canções que você com certeza conhece, imortalizadas no estilo do baiano mais brasileiro do mundo, aqui interpretadas por grandes nomes da música brasileira e até internacional, mostrando que a força e a genialidade de João Gilberto não tem fronteiras, e seu legado vai durar muito mais do que mais 80 anos.

João Gilberto 80 anos

João Gilberto 80 anos
01. Roberta Sá – Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
02. Nara Leão – Samba de Uma Nota Só (Newton Mendonça e Tom Jobim)
03. Gal Costa – Pra Machucar Meu Coração (Ary Barroso)
04. Daniela Mercury – Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso)
05. Cássia Eller – Saudade Fez Um Samba (Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli)
06. Damien Rice e Lisa Hannigan – Desafinado (Newton Mendonça e Tom Jobim)
07. Djavan – Brigas, Nunca Mais (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
08. Diana Krall – Este Seu Olhar (Tom Jobim)
09. Banda Eva – É Preciso Perdoar (Alcivando Luz e Carlos Coquijo)
10. Everything But The Girl – Corcovado (Tom Jobim)
11. Gilberto Gil – Saudade da Bahia (Dorival Caymmi)
12. Casuarina e Moinho – Rosa Morena (Dorival Caymmi)
13. Adriana Calcanhotto – Bim Bom (João Gilberto)
14. Fernanda Takai – Kobune (O Barquinho) (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)
15. Bossa Cuca Nova – Samba da Minha Terra (Dorival Caymmi)
Baixe aqui.

Categoria: Coletas, Música

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