19/mai 2011

“Submarino”, de Joe Dunthorne, é literatura pop das boas [Resenha II]

Capa do livro Submarino, de Joe DunthorneOlá. Meu nome é Oliver Tate, o protagonista. É bem típico de mim usar uma palavra como “protagonista” e, em seguida, falar algo como “lélé da cuca”. Minhas ambições são as seguintes:

1) Descobrir por que meu pai às vezes fica na cama por dias sem fim;

2) Descobrir por que minha mãe está aprendendo a surfar — e provavelmente a fazer outras coisas também — com um hippie lélé da cuca.

3) Perder minha virgindade antes que isso deixe de ser ilegal — em um pouco mais de um ano.

Estou monitorando a intimidade entre meus pais através do dimmer da lâmpada do quarto deles. Sei que eles andaram fazendo aquilo quando, na manhã seguinte, o dimmer está na metade (iluminação romântica). Meus pais não transam há dois meses, o que, segundo minhas pesquisas, indica um sério desgaste matrimonial.

Vou empregar técnicas variadas para salvar o relacionamento deles. Estive lendo o livro Métodos simples para casamentos incríveis e sei como é importante sair para passeios íntimos. Estou por dentro do feng shui e descobri que paredes pintadas em tom de pêssego incentivam o clima de romance.

Foi esse texto, impresso na orelha de Submarino, primeiro livro de Joe Dunthorne, que me atraiu imediatamente para esta deliciosa obra de literatura pop, que não deve em nada a Nick Hornby, por exemplo, um autor pop por excelência.

Oliver Tate é um jovem de 15 anos com uma curiosidade científica e um jeito próprio de enxergar o mundo, com regras particulares. A diversão do livro vem justamente das tentativas de Oliver aplicar esta lógica na vida real, nem sempre com sucesso. O garoto é um observador voraz, e tem conclusões próprias sobre tudo.

Extremamente inteligente, mas um tanto desajustado socialmente, Oliver tenta salvar o casamento dos pais, e chega a fazer listas de assuntos convenientes para a hora do jantar. Graças à namorada, Jordana, começa a escrever um diário, onde além de contar histórias (verdadeiras ou não), extravasa sua paixão por palavras, quanto mais difíceis melhor.

Submarino é um livro de leitura deliciosa, e Oliver é o tipo de protagonista com quem se cria simpatia imediatamente. Não é à toa que Joe Dunthorne já é considerado uma das grandes promessas da literatura britânica, mesmo com apenas um livro lançado, e Submarino é sucesso de público e crítica no mundo todo.

E como não podia deixar de ser, Submarino já virou filme. O longa estreou em festivais no ano passado, e chega às telas americanas em junho. O filme tem direção de Richard Ayoade (o Maurice da ótima série britânica The IT Crowd), trilha sonora de Alex Turner (aliás, Craig Roberts, que faz Oliver no filme, é bizarramente igual ao vocalista dos Arctic monkeys) e quem já viu garante que é tão bom quanto o livro.

Categoria: Livros, Resenhas

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