03/nov 2011

Spartacus (1960) – Projeto Stanley Kubrick

Se Glória Feita de Sangue não rendeu dinheiro, pelo menos fez de Stanley Kubrick um nome conhecido entre quem importava em Hollywood. Por isso mesmo, ele foi contratado por Marlon Brando para dirigir o que viria a ser A Face Oculta, clássico do faroeste. Mas o choque entre o gênio difícil de Brando e o perfeccionismo obsessivo de Kubrick não daria certo: com seis meses de pré-produção, Marlon Brando demitiu o diretor e resolveu ele mesmo tomar as rédeas do filme. Mas o projeto seguinte de Kubrick viria pelas mãos do mesmo Kirk Douglas que estrelara seu filme anterior. Douglas estava produzindo um grande épico, e não estava gostando do trabalho do diretor Anthony Mann, que foi dirigido para dar lugar ao único homem em quem Kirk Douglas confiava para o papel: Stanley Kubrick.

Spartacus é um dos filmes em que a marca pessoal do diretor está menos impressa, mas é ao mesmo tempo um filme fundamental para sua carreira: Kubrick odiou dirigir o longa, pois tinha que se submeter às limitações de ser um empregado, um castigo para quem tinha obsessão pelo controle de sua obra. Por outro lado, ele resolveu definitivamente nunca mais trabalhar como diretor contratado. Ele só entraria em algum projeto se pudesse ter controle absoluto sobre todas as fases da produção. E assim ele fez. A decisão foi tão radical que mais tarde Kubrick renegaria Spartacus. Apesar disso, o filme não chega a destoar do restante de sua obra.

Spartacus

Spartacus é a história (novamente real) de um escravo trácio (Douglas) que lidera uma rebelião iniciada em uma escola de gladiadores mas que logo toma maiores proporções, chegando a derrotar dois exércitos romanos e tomando parte do território da atual Itália.

Como era de se esperar de um filme de Kubrick, o filme causou polêmica quando lançado. O longa foi considerado subversivo (o roteirista, Dalton Trumbo, de tendências esquerdistas, estava na lista negra de Hollywood) e fazia ousadas críticas sociais, apesar de que a intenção de Kirk Douglas nunca foi tocar em nenhum ponto delicado.

Tecnicamente, Spartacus é um épico de respeito. As cenas de batalhas são fantásticas, com destaque para a disputa final entre o exército dos escravos e o romano, cuja tomada da movimentação inicial das tropas talvez seja o ponto alto do longa. A fotografia também é irretocável,e toda a produção é grandiosa. Se Kubrick não teve controle absoluto sobre o filme, pelo menos pôde exercer seu perfeccionismo, refazendo as cenas várias vezes até ficar satisfeito e gravando cada uma de vários ângulos.

Spartacus

O roteiro de Spartacus não teve participação de Kubrick. Talvez por isso mesmo a história aqui não seja tão interessante quanto à dos outros filmes do diretor. O longa inclusive parece arrastado e interminável em diversos momentos (um defeito perigosamente grave, em um filme com mais de três horas de duração). Mas não deixa de ser mais uma demonstração do que Stanley Kubrick era capaz.

Categoria: Cinema

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