16/abr 2012

Porque ouvir Gaby Amarantos

Desde o fim do ano passado que se criou um burburinho em cima do nome de Gaby Amarantos, a Beyoncé do Pará. O título, dado devido ao cover de Single Ladies que lançou a cantora no Brasil, dizem que não faz jus aos dotes da moça. Há quem diga que Gaby é a next big thing da música brasileira para 2012. O fato é que, queira ou não, a partir de hoje você vai ouvir muito o nome (e, é claro, a música) de Gaby Amarantos. A abertura de Cheias de Charme, novela das 19h que estreia esta noite na Globo, tem como tema Ex Mai Love, uma das faixas de Treme, primeiro e aguardado disco de Gaby, produzido por Carlos Eduardo Miranda, o que por si só já é motivo pra ficar de olho na moça.

Gaby Amarantos - Treme

Eu, particularmente, vi e ouvi pouco de Gaby. Sei que muita gente vê a cantora com preconceito, afinal ela é uma representante do tecnobrega paraense, se veste de forma extravagante e se lançou com um (tosco) cover em português de Beyoncé. Mas observo o burburinho com atenção e estou muito curioso pra ver o que vai acontecer após o lançamento de Treme.

A revista Bravo! desse mês traz uma matéria, de José Flávio Júnior, apontando nove motivos para ouvir (e ficar de olho em) Gaby Amarantos. Vamos ver quais são?

1- Gaby está apresentando para o resto do país o tecnobrega, manifestação eletrônica genuinamente amazônica. O estilo irreverente e dançante ganhou ramificações como o tecnomelody e o eletromelody e já desperta a atenção de DJs internacionais.

2- Ela é a ponta-de-lança da cena pop de Belém, a mais interessante do Brasil hoje. Se virar mesmo um ícone nacional, Gaby deve abrir portas para outros nomes da capital paraense, como Felipe Cordeiro, parceiro na roqueira Ela Tá No Ar.

3- A cantora vai além do ritmo que a projetou. Treme inclui o brega clássico Ex Mai Love, escolhido para a abertura da próxima novela das 7 da Globo, e a cúmbia Coração Está em Pedaços, originalmente uma balada de Zezé di Camargo.

4- A direção artística de Treme é de Carlos Eduardo Miranda, a principal antena do pop brasileiro. Ele contou com a colaboração de Féliz Robatto, músico-chave para o resgate da guitarrada (uma lambada instrumental), e do DJ de tecnobrega Waldo Squash.

5- Já uma grande intérprete, Gaby está em plena evolução. Inezita Barroso e Maria Alcina, por exemplo, se derreteram em elogios. Na gravação do álbum solo, a produtora Cyz Zamorano foi fundamental para tirar o melhor do vozeirão de Gaby.

6- Ela joga luz em compositores talentosos, mas poucos conhecidos fora dos domínios paraenses. É o caso de Alípio Martins (1944-1997), de quem Gaby gravou Vem Me Amar. Martins ajudou a popularizar o carimbó e a lambada nos anos 70.

7- A artista canta versos provocadores, como “eu vou samplear, eu vou te roubar”. A passagem está na bem-humorada Xirley, que brinca com o conceito de samplear, utilizar um trecho de uma música, com autorização ou não, para criar outra.o

8- Fernanda Takai participa da faixa Pimenta Com Sal. A cantora do Pato Fu, também de origem amazônica, estrela um belíssimo dueto com Gaby nessa canção escrita pelo poeta roraimense Eliakin Rufino.

9- A intérprete tem a benção de cantoras paraenses veteranas. Fafá de Belém é uma das maiores incentivadoras de Gaby e Dona Onete, a criadora do carimbó chamegado, dá canja em Mestiça, de sua própria autoria, a faixa mais folclórica de Treme.

Acrescento o fato de, a despeito do que pode parecer a princípio, Gaby é uma artista das mais interessantes. Basta ver a entrevista que a cantora deu a Marília Gabriela no começo do ano (Veja: Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4). E, pra terminar, o clipe de Xirley, primeiro single de Treme, que chega às lojas no começo de maio:

Categoria: Jornalismo, Música

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1 comentários




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  • 10. A voz dela lembra Clara Nunes! Gosto, muito, de gente sincera que gosta do que faz. E se for brasileira, melhor!

    [Reply]

    17 de abril de 2012 às 8:43

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