26/ago 2011

Planeta dos Macacos: A Origem [Crítica XI]

Minha relação com Planeta dos Macacos é, por assim dizer, superficial. Sei que assisti pelo menos ao primeiro filme, de 1968, mas tenho poucas lembranças sobre, quase que limitada à clássica cena final, quando descobrimos que o mundo dominado pelos símios é o nosso mundo. Assisti ao bombástico (não de uma forma boa) remake de 2001, e perdi esperanças na salvação da franquia, quando nem Tim Burton conseguiu fazê-lo. Por isso não me animei muito quando soube da iminente estreia de Planeta dos Macacos: A Origem. Dessa vez a história se trata de um prequel do universo criado no primeiro filme. Mas o longa é mais, bem mais, do que apenas isso.

Planeta dos Macacos: A Origem

No filme dirigido por Rupert Wyatt, somos apresentados a Will Rodman (James Franco), cientista que pesquisa uma cura para a Doença de Alzheimer, com o intuito de ajudar ao próprio pai (John Lithgow). O medicamento que ele desenvolve interage com o cérebro, criando novas conexões entre neurônios. Mas os testes feitos com animais revelam que a substância tem uma propriedade a mais: aumentar a capacidade cognitiva das cobaias ou, em outras palavras, deixar os macacos inteligentes.

Após um incidente no laboratório, as cobaias são “descartadas”, mas sobra um filhote, que Will leva para casa e cria como se fosse um filho: é Cesar (Andy Serkis), um macaco que logo se revela um animal de inteligência absurda, que logo irá usar essa inteligência para se rebelar contra aqueles que subjugam os de sua espécie, liderando uma rebelião de proporções épicas no clímax do filme.

Planeta dos Macacos: A Origem revela uma interessante dicotomia entre a passividade de Will e o brilho de Cesar. Will é um personagem que dá raiva. Ele cuida de Cesar como uma criança, mas não hesita em maltratar outros animais em suas experiências, e não move uma palha quando estes devem ser sacrificados, ou mais tarde, quando Cesar é “preso”, ele vê a situação resignado. Will acha que Cesar é quase humano, mas não dispensa uma humilhante coleira para levá-lo para passear.

Planeta dos Macacos: A Origem

Cesar, ao contrário, é desde já o personagem mais interessante do ano. Ao contrário dos macacos de 1968, Cesar é fruto da interpretação de Andy Serkis, cujas expressões foram capturadas e animadas em CGI pela Weta (mesma técnica usada com o mesmo Serkis em O Senhor dos Anéis e King Kong). São visíveis as expressões de carinho, medo, raiva, confusão e até lealdade (a Will e a seus pares) que Cesar demonstra, sem a necessidade de nenhuma (ou quase nenhuma) palavra, se mostrando um personagem de várias camadas (quase o contrário do que acontece com Will, apesar dos esforços de James Franco).

O filme tem alguns clichês dispensáveis, como os vilões extremamente caricaturais, desde o vizinho cuja única função é ser responsável por uma virada na trama (justamente aquela que tira Cesar de Will e o leva para o cativeiro), até o dono do local onde Cesar fica preso com outros macacos e seu filho sádico (Tom Felton, o Draco Malfoy). Há também a namorada de Will, vivida por Freida Pinto, cuja única função é… não ter nenhuma função.

Planeta dos Macacos: A Origem

Mas nada disso tira o mérito do longa. A personalidade complexa de Cesar é destaque absoluto, as cenas de ação no ato final são de tirar o fôlego, e toda a mensagem do filme é muito bem transmitida. Sem em nenhum momento fazer alusão direta aos outros longas da franquia, este A Origem nos mostra com clareza onde tudo vai deságuar, de maneira brilhante e escancarada.

Categoria: Cinema, Críticas

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