19/jul 2012

Sapatos

Simpática essa crônica do Antônio Prata na Folha de ontem. Leia:

SEXTA A tia Clara ligou avisando: se eu quisesse procurar pelos sapatos do tio Estevão tinha que chegar cedo, no dia seguinte. À tardinha vinham os filhos, levariam os pertences que lhes interessassem e o resto seria doado ao Lar Escola São Francisco. Nove da manhã de sábado eu tocava a campainha, pronto para começar a minha busca.

Poucos objetos estiveram mais ligados a uma pessoa do que aqueles sapatos ao meu tio Estevão. Dos 84 anos que passou sobre a Terra, 60 foram calçando o mesmo modelo. Difícil descrevê-los, não porque tivessem algo de excêntrico, mas por serem demasiadamente comuns -se é que algo pode ser demasiadamente comum: eram de couro preto, quatro furos pro cordão, sola de madeira, salto de borracha. No colegial, quando aprendi sobre o mundo inteligível de Platão, aquele no qual residiriam os ideais de todas as coisas, logo pensei nos sapatos do tio Estevão, os paradigmáticos sapatos do tio Estevão pairando lá no alto, muito acima dos canos altos, Melissinhas, escarpins e outras sombras projetadas na balbúrdia da caverna.

Meu tio não gostava de balbúrdia. Casou-se com a namorada da escola, teve um filho e uma filha, foi fiel à esposa, à marca de desodorante, ao nó da gravata, à sopa no jantar -e, claro, aos sapatos. Descobriu-os numa viagem à Franca, a trabalho, em 1952. Muitos anos atrás, num Natal, contou-me que bastou calçá-los para saber que “aquela questão, pelo menos, estava resolvida”. Lembro que achei graça em sua postura, como se a vida consistisse numa série de questões a serem resolvidas, uma lista na qual fôssemos ticando as colunas. Casamento: risca. Carreira: risca. Filhos: risca. Sapatos: risca.

Como o trabalho o levava todo ano à Franca, tio Estevão comprava um par a cada viagem e assim viveu tranquilo -pelo menos, no que se referia àquela “questão”- até 1990, quando o mercado abriu-se para o mundo e a fábrica, incapaz de competir com a concorrência chinesa, faliu. O dono, a essa altura já amigo do meu tio, telefonou-lhe para lamentar-se, para maldizer o governo, os chineses, a vida e avisar que os últimos pares do estoque eram seus. Vinte e dois pares, um presente por 38 anos de fidelidade.

Meu tio brincava, desde então, para desespero da tia Clara, que quando o último par se gastasse ele morreria. Segundo minha tia, na segunda-feira à noite ele sentou-se na cama, olhou os sapatos em petição de miséria e, calmo, como se viesse há muito se preparando para aquele momento, disse: “Já era”. No dia seguinte, comentou, iria provar uns mocassins -mas não chegou a ver o dia seguinte.
Na manhã de sábado, revirei cada gaveta, cada armário, cada cômodo da casa. Tinha a esperança de que, em sua última noite, meu tio não tivesse jogado no lixo os sapatos que o acompanharam pela vida inteira, houvesse guardado ao menos um pé, como lembrança.

Por que eu queria tê-lo? Seria um símbolo da persistência? Da teimosia? Da busca pela imanência em meio à transitoriedade? Não sei. Não os encontrei. Claro. Era de se esperar que um homem pragmático a ponto de passar 60 anos com o mesmo sapato não fosse de guardar velharias como souvenirs. As questões, quando se resolvem, se resolvem. Morte: risca.

Categoria: Crônicas

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18/jul 2012

Cantora italiana faz uma bela versão de Ainda Bem, da Marisa Monte

Que Ainda Bem é uma das mais belas canções do novo disco de Marisa Monte a gente já sabe. Agora olha que bacana essa versão que a cantora italiana Mina fez para a música. O arranjo ficou bem parecido com o original, e ela canta em português mesmo, mas o bolero ganhou um tom de jazz. Ouça aí:

Categoria: Música

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17/jul 2012

Tem música nova do The XX, Green Day e No Doubt

Tanta música nova e boa aparecendo por aqui que resolvi juntar três que eu curti a beça em um post só. Pra começar, tem a primeira música do disco novo do The XX. Confesso que não conheço nada deles, mas achei a música bem boa, uma baladinha relaxante chamada Angels:

O Green Day tem um projeto ambicioso: lançar três discos nos próximos seis meses. A trilogia terá os títulos (sugestivos) de ¡Uno!¡Dos!¡Tré!, e o primeiro deles sai em setembro. Daí que já dá pra ouvir o primeiro single do álbum, e baseado nele dá pra ver que vem coisa boa por aí. Ouça Oh Love:

E quem também está de volta, depois de quase 10 anos, é o No Doubt de Gwen Stefani. A banda divulgou um novo single, que já tem clipe e tudo, da divertidíssima Settle Down:

Categoria: Música

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15/jul 2012

Man of Steel: faltam 11 meses

Man of Steel

Muito bom esse pôster divulgado na Comic-Con para o reboot do Superman, que estreia em junho do ano que vem. #ansiedade

Categoria: Cinema

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12/jul 2012

Desafio Literário 2012 VII – A Mulher Que Escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar

Por uma coincidência incrível, na mesma semana em que escolhia uma obra para ler este mês no Desafio Literário (comecei a ler um dos livros que tinha planejado inicialmente, mas a leitura não estava fluindo), vi que A Mulher Que Escreveu a Bíblia, vencedor do Prêmio Jabuti de 2000, de Moacyr Scliar, era um dos próximos lançamentos da Coleção Folha Literatura Ibero-Americana. Corri para garantir meu exemplar, e posso dizer que foi uma das atitudes mais acertadas que tomei esse ano.

A Mulher Que Escreveu a BíbliaO livro começa com um ex-historiador, agora um “terapeuta de  vidas passadas”, contando sobre uma de suas clientes, uma mulher que descobre que, em outra encarnação, fora uma das mulheres do harém do Rei Salomão. A partir daí, é a própria quem toma a palavra, contando sua história. A mulher, cujo nome não é dito em nenhum momento, é a filha de um chefe tribal que, por razões políticas, se casa com o Rei Salomão e se torna uma de suas 700 esposas (sim, 700!). Ah, e o mais importante: a mulher é feia, extremamente feia, talvez a mais feia das mulheres.

A feiura é fundamental, ao menos para o entendimento desta história. É feia, esta que vos fala. Muito feia. Feia contida ou feia furiosa, feia envergonhada ou feia assumida, feia modesta ou feia orgulhosa, feia triste ou feia alegre, feia frustrada ou feia satisfeita- feia, sempre feia.

Para compensar tanta feiúra, a mulher pelo menos é muito inteligente e, por isso, aprende a ler e escrever, algo raro naquela época. Quando tem uma carta escrita ao pai interceptada pelo Rei Salomão, que percebe ali toda a erudição da moça, a mulher é convocada por ele a escrever a história do povo judeu, desde os primórdios, no livro que, sabemos nós, mais tarde se tornaria a Bíblia.

No livro, a mulher o tempo todo se divide entre duas tarefas: a primeira é escrever o livro encomendado pelo marido. A segunda é perder a virgindade. Sim, afinal, se em um harém de 700 mulheres, mesmo para as mais belas é difícil conseguir uma noite com o marido, imagine só para a mais feia delas! E a ação do livro, inclusive toda a trama que leva à escritura da Bíblia, é motivada pelo desejo da mulher de ter seu casamento consumado. É com esse objetivo que ela chega a instigar uma rebelião das outras 699 esposas, e com esse mesmo propósito ela aceita a tarefa de escrever a história que Salomão tanto quer deixar para a posteridade.

A Mulher Que Escreveu a Bíblia é um livro viciante. Devorei a obra em menos de dois dias. A personagem principal é, desde já, a protagonista mais fascinante que vi em muito tempo. Ao mesmo tempo que tem todo o conhecimento da língua ao seu dispor, ela abusa dos termos chulos e em vários momentos mete os pés pelas mãos graças à sua ansiedade.

A escrita de Moacyr Scliar é deliciosa. Com um texto leve e engraçado, ele consegue contar uma história criativa e muito original. Mesmo que os desdobramentos da trama não sejam assim tão surpreendentes, ainda assim você não vai querer largar o livro até que o termine. É daqueles livros que faz o Desafio Literário valer a pena, afinal, talvez não o pegasse para ler não fosse o desafio. Recomendo muito!

Categoria: Livros, Resenhas

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11/jul 2012

Fósforo Carnival VII

O Fósforo Carnival é uma sessão do blog que indica links para textos, vídeos e outros posts interessantes que me chamaram a atenção na internet e merecem ser divididos.

A Ana Virgínia, minha conterrânea e dona do Filha de José, resolveu aderir ao BookCrossing. É uma iniciativa mega bacana, em que a pessoa “abandona” um livro em algum lugar público, para que outra pessoa o encontre, leia e volte a liberta-lo. Confesso que me deu vontade de entrar na onda também. E quem sabe eu não acabe encontrando um livro solto pela Ana em algum ponto aqui em Juiz de Fora?

E a entrevista que o Bruno Mazzeo deu para a Revista da TV dO Globo de domingo? O cara soltou a língua, e falou sobre Twitter, Rafinha Bastos e seu papel na novela Cheias de Charme.

— Tem uns caras que me atacam, mas eu sequer tenho opinião formada sobre eles. O Rafinha Bastos me critica, mas eu ainda não o vi fazendo nada, criando nada, entendeu? Eu o vi fazer franquias e xingar os outros. Ele ainda não me deu possibilidade de ter uma opinião — alfineta. [...]

— A minha turma é muito mais legal. Mas, de repente, veio essa galera do stand-up, e eles começaram a se definir como se fossem o último biscoito da caixinha. O Rafinha Bastos praticamente inventou o humor, né? Ele dá entrevistas sobre o humor como se não existisse o gênero antes dele. Só que faz um programa que não chegou a um ponto no ibope. Com essa galera do stand-up eu não compartilho. E nem gosto de assistir, acho bobo, monótono. É uma opinião minha — frisa. [Ler texto completo]

Vale a pena ler o texto completo, que o Conteúdo Livre disponibilizou. Confesso que, depois de ler, até passei a ter menos antipatia do Mazzeo.

O Ronaldo Evangelista já leu e resenhou o novo e aguardado disco da Tulipa Ruiz, Tudo Tanto, para a revista Rolling Stone:

Tudo Tanto, segundo disco de Tulipa Ruiz, começa como se o filme estivesse voltando do intervalo. Uma virada de bateria e já estamos no meio da ação, plano sequência, carros em perseguição, janela do trem, encontro romântico com travelling de câmera, cinéma vérité, musical, suspense e comédia. Mudando de cenário em movimento, para não deixar a mágica escapar, a mocinha da película encara com fascínio especial a aventura do segundo álbum, primeira reinvenção.

A musicalidade natural, a vivacidade dos arranjos, a graça espontânea das composições: tudo mais ou menos igual, só que mais. Dois anos depois de Efêmera, a leveza continua lá, mas entre novas nuances e sugestões. A produção do irmão e guitarrista Gustavo Ruiz – parceiro em sete das onze composições do álbum – é tão prodigiosa quanto são engenhosos os arranjos sobre os quais a voz de Tulipa flutua, inventa timbres, revela melodias. Em cada enquadramento, a cada esquina dobrada, pelos detalhes de cada faixa, salta aos ouvidos a unidade, o som claro e direto, totalmente contemporâneo. [Ler texto completo]

Para os aspirantes a escritores, o vá ler um livro avisa que estão abertas as inscrições, até 30 de setembro, para o 10º Prêmio Sesc de Literatura. Os ganhadores nas categorias Romance e Contos terão suas obras publicadas pela Editora Record. Vale a pena dar uma olhada.

E pra terminar, o Chicclete fez essa lista com o top 10 lojas de decoração online. Vale a visita a cada uma delas, que traz um monte de produtos diferentes, muitos voltados para o público geek/nerd. Só não reclame se sair gastando descompensadamente… ;)

Categoria: Carnival, Coisinhas

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09/jul 2012

O Espetacular Homem-Aranha

Foi em 2002 que o diretor Sam Raimi deu vida nos cinemas a um dos personagens mais queridos dos quadrinhos: o Homem-Aranha de Tobey Maguire foi um sucesso, e deu origem a duas continuações com igual reconhecimento de público, apesar da crítica se dividir quanto aos méritos da trilogia. Corta para dez anos depois: Marc Webb é o diretor do reboot da franquia, e O Espetacular Homem-Aranha recria a origem do herói, com novo elenco e novo vilão. Muita gente criticou o recomeço tão precoce, mas a verdade é que o Homem-Aranha de Andrew Garfield é muito, muito bom!

O Espetacular Homem-Aranha

A história é basicamente a mesma: Peter Parker (Garfield) é um adolescente tímido, inteligente e meio nerd, apaixonado por ciência, criado pelos tios, que um belo dia é picado por uma aranha radioativa e ganha poderes como força, agilidade e uma espécie de “sentido aranha”. Logo ele cria um uniforme, desenvolve um lança-teias com um polímero sintético (ao contrário da trilogia anterior, em que a teia era orgânica) e começa a combater criminosos e se balançar entre os prédios de New York. Aqui também há uma garota, mas não é Mary Jane, mas sim Gwen Stacy (a linda Emma Stone). Mas se é tudo parecido, afinal, porque assistir a O Espetacular Homem-Aranha?

Simples: porque o novo longa consegue captar aquela que é a essência e o mais bacana do personagem: o fator humano. Peter Parker é um adolescente cheio de questões, tentando se definir e encontrar seu lugar no mundo (chega a ser emblemático o momento, perto do fim do longa, em que uma professora diz existir apenas um tipo de história a ser contada: “quem sou eu”). Por isso é tão divertido acompanhar a história de Peter à medida em que ele tenta descobrir suas origens, ao mesmo tempo em que tem que lidar com os novos, estranhos e inexplicáveis poderes. Uma das cenas mais bacanas é quando, no metrô, Peter se envolve em uma briga e ao mesmo tempo pede desculpas por estar lutando.

O Espetacular Homem-Aranha

E aí chegamos ao par principal: Andrew Garfield e Emma Stone, como Peter e Gewn, são a razão do filme. Ele é o Peter Parker perfeito, dosando a timidez e o bom humor característicos do personagem. Ela é linda, delicada e forte. Juntos, os dois têm uma química perfeita, e cada cena em que eles aparecem traz a garantia de um sorriso no rosto. A história deles é tão forte que sobrepõe até a trama com o vilão do filme, o Dr. Curt Connors/Lagarto (Rhys Ifans). Aliás, o filme perde um pouco da força justamente na segunda metade, quando se concentra no embate Homem-Aranha x Lagarto.

Os efeitos especiais do longa são espetaculares. Ao contrário do longa de Raimi, aqui o Homem-Aranha que balança entre os prédios é fluido, verossímil, e parece real, e não um efeito em CGI. As cenas que acompanham o Aranha “voando” pela cidade são de tirar o fôlego. Os efeitos em 3D, ao contrário do que se espera são discretos, e não atrapalham a experiência.

O Espetacular Homem-Aranha, enfim, é daqueles filmes que agradam em cheio a qualquer fã, pois traz à tona aquilo de melhor que o Aranha tem. É um filme para ser visto na tela grande, para rir, se emocionar e ficar na ponta da cadeira até a sequência final. E sair do cinema com um sorriso no rosto e a certeza que valeu a pena ser feito um reboot do personagem.

Categoria: Cinema, Críticas

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04/jul 2012

Ouça a primeira música do novo disco de Tulipa Ruiz

Tudo Tanto é o título do segundo disco de Tulipa Ruiz, que sai no fim desse mês. É é a primeira música divulgada pela cantora, e mostra que o CD promete!

Dá pra baixar a música aqui.

Categoria: Música

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04/jul 2012

E o Louro José perdendo a linha no Twitter?

Gente! Essa é tão surreal que tive que divulgar. Daí que ontem a Ana Maria Braga lançou uma enquete online, perguntando se o Louro José devia ou não assistir à final da Libertadores, hoje, ao vivo no estádio. Tudo caminharia para um sonoro SIM, não fosse a já tradicional trollagem do Morri de Sunga Branca, um dos blogs mais bacanas sobre celebridades. A Bic Muller estimulou o público do site, que aparentemente não é pequeno, a votar no NÃO, e deixar o Louro quieto em casa hoje à noite. Resultado: de quase 80% dos votos a favor de mandar o papagaio para o Pacaembu, rapidamente a conta virou para mais de 70% das opiniões contra.

Tudo terminaria aqui, sem alarde, não fosse o fato do próprio Louro ter ficado p*** com a situação e partido pra xingar muito no Twitter:

Tem uma idiota de um site fuleiro que eu nunca ouvi falar, um tal de sunga branca que jura que é popular, segunda ela a votação virou porque ela pediu para as pessoas votarem não no site, tá se achando demais hein de tanga branca? E ainda disse que só a Ana gosta de mim, concordam?

Claro que a mensagem acima causou a maior comoção, e as duas partes trocaram ferpas o dia todo. Não bastasse isso, a mulher de Tom Veiga (que, se você não sabia, é o cara que controla o Louro José) também partiu para a ignorância e distribuiu xingamentos. Totalmente surreal.

É uma pena, porque muita gente gosta do papagaio da Ana Maria Braga, e o personagem perdeu uma chance daquelas de usar a situação a seu favor e agir na esportiva. Pelo contrário, ele sai dessa com sua imagem abalada e bastante antipatizado nas redes sociais. Cadê assessor de imprensa numa hora dessas?

Pra entender a história toda, veja essa apresentação de slides que a Rosana Hermann fez contado tudinho:

Categoria: Internet, Televisão

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03/jul 2012

Desafio Literário 2012 VI – O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams

Quando soube que O Restaurante no Fim do Universo se encaixaria perfeitamente no tema de junho do Desafio Literário (viagem no tempo) quase dei pulinhos de alegria, pois O Guia do Mochileiro das Galáxias foi uma das mais agradáveis e engraçadas leituras que fiz no ano passado, e não via a hora de pegar para ler a segunda parte da trilogia de cinco livros de Douglas Adams. Bem, você sabe o que dizem: quanto maior a expectativa…

O Restaurante no Fim do UniversoO segundo livro começa exatamente onde terminou o primeiro: a bordo da Coração de Ouro, nave que Zaphod Beeblebrox, o ex-presidente da galáxia, roubou no primeiro livro. Junto com ele está Ford Prefect, além de Arthur Dent e Trillian, os dois únicos terráqueos que sobraram no universo. Quando a nave começa a ser atacada pelos Vogons (uma raça extremamente detestável), o grupo acaba indo parar no tal restaurante do fim do universo, que fica exatamente onde o nome diz: no fim do universo. Sim, eles viajam no tempo e  vão parar em um restaurante que revive a cada noite o momento em que o universo deixa de existir.

Fiquei bastante decepcionado, pois esperava que esse segundo livro fosse tão divertido quanto o primeiro, mas achei a obra bem menos inspirada que a anterior. Não que a ironia nonsense de Douglas Adams não esteja presente aqui, mas em alguns momentos achei a leitura até enfadonha. A história é um tanto confusa e, devo confessar, não fosse a necessidade de cumprir a tarefa do desafio, acho que teria abandonado a leitura. Além disso, o personagem mais divertido do primeiro livro, Marvin, o robô depressivo e pessimista, aqui aparece bem menos.

Claro que o livro tem seus momentos inspirados, principalmente quando Adams explica a lógica do universo. E o final até que gera curiosidade para a continuação da história. Por isso mesmo, não vou desistir da saga porque, sinceramente, tenho esperança de que o terceiro livro traga de volta a diversão que me fez empolgar de verdade com a trilogia do Mochileiro das Galáxias.

Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.

Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

Categoria: Livros, Resenhas

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