12/out 2011

O Grande Golpe (1956) – Projeto Stanley Kubrick

Embora seja o terceiro longa do diretor, O Grande Golpe (The Killing, 1956) é considerado o filme que, de fato, lançou Stanley Kubrick em Hollywood, e o próprio considera este seu primeiro trabalho realmente profissional. Ele e seu parceiro, o produtor James B. Harris, compraram os direitos de adaptação do livro Clean Brake, de Lionel White, e fizeram um acordo com a United Artists para a produção: o estúdio ofereceu um orçamento de U$ 200 mil, e Harris entrou com U$ 80 mil do próprio bolso e mais U$ 50 mil do pai. O baixo valor não seria problema para Kubrick que, afinal, já havia feito dois longas com muito menos dinheiro.

O Grande Golpe narra a história de um grupo de homens e o ousado assalto a um hipódromo, no dia de uma corrida muito importante. O líder da gangue é Johnny Clay (Sterling Hayden), que arquiteta um meticuloso plano, executado estrategicamente, quase como um jogo de xadrez (xadrez, aliás, que sempre foi uma das grandes paixões de Kubrick), cobrindo todas as arestas para que o assalto seja um crime perfeito.

O Grande Golpe (The Killing)

O maior trunfo do filme é sua narrativa não-linear, herdada do livro e espertamente mantida por Kubrick na edição. O filme chegou a ser muito criticado, por causa dessa estrutura não-linear que, apesar de não ter sido usada pela primeira vez aqui, não era comum na época, e pegou desprevenido um público acostumado com narrativas mais simples. Porém, o longa serviu para fazer com que Kubrick passasse a ser conhecido como um novo diretor a se prestar atenção, chegando a ser comparado, pela revista Time, a Orson Wells e seu Cidadão Kane (a influência deste em O Grande Golpe é clara).

O Grande Golpe é desses filmes que passam voando, graças à trama interessante e coesa, que consegue prender a atenção do início ao fim (e que fim!). A impressão que se tem é que o longa não tem nem uma cena sobrando, que tudo ali é essencial para a história, sem enrolação. Se a narrativa não-linear já havia sido utilizada antes, Kubrick inaugurou uma forma diferente de conta a história: mostrando o mesmo fato por diversos pontos de vista, de forma que o quadro completo da história só pode ser entendido após a união destes pontos de vista.

O Grande Golpe (The Killing)

Embora seja apenas o segundo filme de Kubrick, já é possível visualizar várias características autorais, que viriam a marcar toda a sua obra, como o extremo perfeccionismo do diretor, e seu rigor estético. A própria temática do filme já esboça aquela que seria a visão do diretor em toda a sua obra: a imperfeição do ser humano. Kubrick sempre preferiu mostrar o lado negro do homem, seu lado frio, vil, obscuro. E aqui não é diferente.

O Grande Golpe pode não ser ainda a obra-prima de Stanley Kubrick (apesar de haver quem o considere seu melhor filme), mas já demonstra muito do que ele viria a ser mais à frente. E, mais que isso, já evidencia a existência de um diretor que, embora ainda em formação, é melhor do que muitos realizadores já estabelecidos.

Este post é parte do Projeto Stanley Kubrick. Clique no link para conhecer a ideia e ler os outros textos do projeto.

Categoria: Cinema

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