O Artista
Tweet
Têm-se dito que O Artista (The Artist, 2011) é um retorno aos filmes mudos dos anos 20. Mas não. O longa é, sim, uma bela homenagem à era de ouro do cinema, mas consegue, ao mesmo tempo, ser extremamente atual. E se você torceu o nariz para O Artista por ser um filme mudo e preto-e-branco, pense melhor e assista: você pode estar perdendo um dos melhores filmes do ano, uma bela história de amor, que é também uma declaração de amor ao cinema.

George Valentin (Jean Dujardin) é um grande astro do cinema, o mais aclamado dos atores. Após a estreia de seu mais novo filme, ele é fotografado junto a uma fã, e a imagem vai parar na capa dos jornais no dia seguinte. “Quem é essa garota?”, é a pergunta estampada nas manchetes. Não demora a descobrirmos que é Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma aspirante a atriz que logo terá a chance de contracenar com seu ídolo.
Mas a chegada do cinema falado muda tudo na indústria. Al Zimmer (John Goodman, fantástico) apresenta a Valentin a novidade, e o ator resiste à nova tecnologia. É nesse contexto que ela, Peppy, se torna a nova musa do cinema, enquanto George Valentin cai no ostracismo. Como companhia, lhe restam apenas seu mordomo (James Cromwell) e um simpático cachorro.

A relação entre George e Peppy é o grande trunfo de O Artista. Primeiro porque Jean Dujardin e Bérénice Bejo estão soberbos nos papéis. Enquanto ele encarna o astro típico dos anos 20 (e o personagem foi inspirado em alguns deles, como Rodolfo Valentino), com toda a expressividade, ela interpreta com graça e doçura uma garota que nutre extrema admiração pelo ídolo, mesmo quando os papéis se invertem, e ela vira a grande estrela de Hollywood. A relação entre eles é linda, e faz o filme merecer todos os aplausos que tem recebido.
O Artista é um filme mudo, à exceção de duas cenas brilhantemente conduzidas. Mas nem por isso o som deixa de ter papel fundamental na trama. A trilha sonora criada por Ludovic Bource é maravilhosa, e dita o ritmo da trama, substituindo à altura os diálogos. Aliás, mesmo tendo pouquíssimas falas, traduzidas na forma de texto simples na tela, o filme consegue passar sua mensagem através dos olhares e trejeitos dos astros. E é tão representativo o fato de um filme sobre a transição do cinema mudo para o sonoro conseguir se comunicar plenamente sem precisar recorrer à fala.

A direção de Michel Hazanavicius é maravilhosa. Ele consegue fazer um filme sem se utilizar do excesso de tecnologia visto no cinema atual, e nem por isso faz um filme menor. O Artista é um filme delicioso, recheado de referências ao cinema. É ao mesmo tempo uma história sobre a passagem do tempo, sobre se reinventar, sobre amizade e sobre valores sólidos. E que bela mensagem!
Posts relacionados:
Adele – A artista do ano 2011
Tags: Bérénice Bejo, James Cromwell, Jean Dujardin, John Goodman, Michel Hazanavicius, O Artista
Veja nossa política de comentários
-
Ana Claudia disse:
Adorei sua crítica! Achei bem interessante um filme mudo e em preto e branco nos nossos tempos. Estou louca para assistir.
P.S Nunca vi um filme mudo e em preto e branco.
1 de fevereiro de 2012 às 20:37

