22/nov 2011

Drive [Crítica XXI]

A princípio, achei que Drive fosse um filme de ação cheio de adrenalina, no melhor estilo Velozes e Furiosos. Nada mais errado. Apesar de ter, sim, boas sequências de ação (as cenas de perseguição são espetaculares), o filme tem um ritmo mais lento, minimalista, todo ele centrado no protagonista de Ryan Gosling, um personagem de poucas palavras e expressões fortes.

Drive

O personagem de Gosling não tem nome. Quer dizer, seu nome não é citado em momento algum do longa. Ele é um homem solitário e lacônico, que durante o dia trabalha como dublê em filmes de Hollywood (Drive se passa em Los Angeles), e à noite dirige para bandidos em fuga. Ele é quase o retrato moderno do herói solitário tradicional dos filmes de faroeste, imagem que é reforçada pelo palito de madeira que o personagem carrega no canto da boca boa parte do tempo. Sua rotina de solidão se altera quando ele começa a se envolver com a vizinha Irene (Carey Mulligan), que vive sozinha com o filho pequeno, pois o pai do garoto está na prisão. É quando o marido de Irene, Standard (Oscar Isaac), sai da cadeia que a trama dá uma reviravolta. Ameaçado por causa de dívidas, Standard precisa participar de um assalto para quitar a obrigação, ou então não só ele, mas a esposa e filho, correm risco. Preocupado com a família, o personagem de Gosling resolve ajudar no golpe.

Drive é um filme cheio de silêncio. O protagonista fala pouco, mas observa muito, e seu olhar é extremamente expressivo. Se ainda havia dúvida sobre o talento de Ryan Gosling, aqui  fica claro que ele é um dos melhores de sua geração. Sua atuação minimalista é cheia de significados. Aliás, todo o elenco dá show em Drive. Carey Muligan está muito fofa como a vizinha por quem Gosling se afeiçoa, e ainda tem Bryan Cranston, sempre competente, e Albert Brooks, em um papel diferente do que estamos acostumado a vê-lo fazendo.

Drive

O longa é baseado no livro de James Sallis, roteirizado por Hossein Amini e dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn que, em seu primeiro filme americano, já garantiu o prêmio de melhor diretor em Cannes. Mais que merecido. Drive é um primor técnico, desde a primeira cena, magistralmente executada. O filme todo dá a impressão de que nada ganha foco na tela por acaso. A fotografia é primorosa, e a trilha sonora consegue criar todo o clima da história, inclusive marcando os diferentes momentos da trama, do início eletrizante, passando pela inocência da relação do protagonista com Irene e o ato final, que chega a impressionar pelo grau de violência.

Drive

Drive é um filme que pode parecer monótono à primeira vista (e não recomendo que você o assista se estiver muito cansado), mas é uma trama bastante rica e cheia de nuances. Em uma temporada de filmes sem muita expressão, ele pode ser o destaque das premiações, e merece tal reconhecimento. Aqui no Brasil, Drive sé chega às telas em janeiro de 2012.

Categoria: Cinema, Críticas

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