Dear Zachary: A Letter to a Son about his Father
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O médico Andrew Bagby, de 28 anos, foi encontrado morto em 2001, assassinado com cinco tiros pela ex-namorada que não aceitou o término do relacionamento. Durante o funeral, seu melhor amigo, Kurt Kuenne descobre que o rapaz adorava fotografar, fato que, apesar da intimidade entre eles, Kurt desconhecia. O cineasta então resolve fazer um filme entrevistando pessoas próximas a Andrew, para descobrir tudo sobre o amigo falecido. Porém, logo que começa a colher os depoimentos, descobre que Shirley, a mulher que matou Andrew, está grávida dele. O filme muda de objetivo então: a ideia agora é apresentar Andrew a Zachary, o filho que nunca virá a conhecer o pai.

O pequeno Zachary com a avó
A sinopse acima, do documentário Dear Zachary: A Letter to a Son about his Father (Querido Zachary: uma carta para um filho sobre seu pai) nem de longe consegue antever a experiência devastadora de ver um dos filmes mais contundentes e belos a que já assisti. Prepare-se para se emocionar com a linda declaração de amor que Kurt prepara para o amigo. Para se revoltar com a justiça canadense, que não só deixa a assassina em liberdade, como obriga que David e Kathleen, pais de Andrew que brigam com a mulher pela guarda de Zachary, tenham que conviver com Shirley diariamente. E para ficar boquiaberto com o final do filme, cuja trama se revela mais eletrizante e surpreendente do que qualquer obra de ficção. Por isso mesmo recomendo que você não procure informações sobre o caso antes de assistir ao filme, ou você vai perder uma das grandes surpresas do longa.
Talvez o maior mérito de Dear Zachary seja a montagem inteligente e delicada que Kurt faz das imagens, enchendo os depoimentos de significado. Chega a ser chocante o momento em que os pais de Andrew contam como reconheceram o corpo do filho no hospital, entremeado por imagens do próprio Andrew quando criança, escondendo o rosto. Ou quando uma cena caseira em que Kurt, ainda menino, diz ao amigo que voltaria no tempo para evitar que ele morra, é suficiente para mostrar o quanto a perda de Andrew é dolorosa para Kurt. E como não ir às lágrimas no momento do primeiro encontro entre o cineasta e o pequeno Zachary?

Andrew Bagby e o amigo Kurt Kuenne
Falar mais sobre o filme seria estragar a surpresa e a emoção de vê-lo. Portanto, se essa resenha puder despertar apenas um sentimento em você, que seja o de assistir a esse belíssimo documentário, e aí minha missão estará cumprida. Só certifique-se de ter um bom estoque de lenços de papel ao seu lado: tenho certeza que você vai precisar deles.
Tags: Andrew Bagby, Dear Zachary, Kurt Kuenne





