Para um cão, você não precisa de carrões, de grandes casas ou roupas de marca. Símbolos de status não significavam nada para ele. Um graveto já está ótimo. Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele, e ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não. De quantas pessoas você pode falar isso? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?
De Marley e Eu
Podia ter sido qualquer um dos quatro ou cinco filhotes que disputavam a minha atenção. Cinco salsichinhas, espertas e serelepes, que pulavam, corriam e davam gritinhos de alegria. Mas por algum motivo (destino?) me encantei por aquele menorzinho, marronzinho, tímido (como eu), paradinho em um canto. E não houve quem mudasse a minha ideia. Ali começava uma amizade que duraria belos 14 anos.

Quando o Toby veio morar comigo, eu tinha 17 anos, iniciava o último ano do colegial e não tinha ideia do que ia fazer da vida. De lá pra cá, estudei para dois vestibulares, fiz uma faculdade e meia, estudei para concursos, passei em alguns, trabalhei, fiz (e desfiz) amizades, e só uma coisa não mudou nesse tempo todo: a presença daquele cãozinho, que fazia questão de estar sempre por perto, que se aninhava ao meu lado enquanto eu estudava, lia ou mexia no computador.
Todo dono de cachorro deve dizer isso, mas não existe um cãozinho como o Toby: calmo a ponto de fazer com que duas ou três pessoas perdessem o medo de cachorro (mas quando saía na rua latia sem parar, como quem dissesse “sai da frente que eu tô passando”). Tão carinhoso que conquistou um lugar dentro de casa, quando ninguém na família admitia ter um animal convivendo diretamente. Sistemático, também, dava aquele suspiro impaciente e mudava de posição quando se esbarrava nele durante o sono (“será que eu posso dormir um pouco?”). E que sono! Bastava encostar, onde fosse, mesmo que no colo de uma visita (sem cerimônia alguma), e já já os olhinhos estavam fechados, e até um ronquinho dava pra ouvir. Dizem que os cães têm a personalidade do dono. Se é assim, tenho um orgulho danado de ter tido um cão como o Toby, porque não havia quem não gostasse dele.
Certa vez, em um seriado de TV, um personagem dizia que perder um cãozinho de estimação é tão doloroso quanto perder um membro da família. Deve ser verdade! Só quem tem e gosta de cães sabe o quanto esses animais enchem a vida da gente, fazendo festa, dando carinho e agindo como se fossêmos as pessoas mais importantes do mundo. Opa, mas pra eles somos mesmo. Nunca mais vai existir um cãozinho como o Toby, carinhoso e carismático. Não é à toa o fato de vários amigos meus, que conviveram em minha casa nesses 14 anos, terem ficado tristes, tocados, quando souberam que ele tinha partido. Toby era o cãozinho perfeito e, me desculpe, nunca mais vai existir um cachorro como ele.

Nesse feriado o Toby nos deixou. E se durante toda a vida trouxe tanta alegria para mim e minha família, ele foi recompensado com uma morte livre de sofrimentos, em decorrência de uma doença que em nenhum momento causou dores fortes, cercado de pessoas que o amavam. É, Toby, agora é hora de você levar todo o carinho que nos deu para outras pessoas, no céu (afinal, alguém já disse que todos os cães merecem o céu), e tenho certeza que deve ter um monte de gente muito feliz em algum lugar nesse momento. Por aqui, a gente tá triste, com saudades, mas com a certeza de que o bem que você nos fez nunca deixará de existir, e você estará sempre nos nossos corações. Sim, porque nunca, nunca mesmo, vai existir outro cachorro como você.
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