31/dez 2011

Para um 2012 feliz!

2012

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para frente tudo vai ser diferente.”
(Carlos Drummond de Andrade)

Por pior que tenha sido um ano, a chegada do ano seguinte sempre traz aquele espírito de renovação, uma sensação boa de poder começar de novo, deixando para trás tudo o de ruim que o ano que termina trouxe.

No meu caso, comecei 2011 bem pra baixo, e não achei que esse ano fosse dar em muita coisa. Mas até que, no fim das contas, 2011 foi um ano bem bom. E seria ingrato se não incluísse você, leitor, nessa conta. Ter me dedicado a esse blog fez toda a diferença, e há muito tempo não me sentia tão produtivo e útil como desde que criei o Fósforo.

Mais que o último post do ano, este é um agradecimento a você que acompanhou o blog durante o ano e me fez uma pessoa mais feliz. E eu tenho um presentinho pra você. É um presente quase simbólico, só para agradecer mesmo pelo carinho que tenho recebido por meio do Fósforo. Por isso vou sortear, entre vocês leitores, uma cópia de um dos melhores livros que li nesse ano que termina: Pequena Abelha, do Chris Cleave (Editora Intrínseca). Já falei sobre o livro aqui, então nem vou me estender muito.

Para participar é fácil. É só curtir o Fósforo no Facebook (a janelinha do Face tá aí na barra lateral), e preencher o formulário abaixo com seu nome e e-mail. Pronto. É só cruzar os dedinhos e esperar até o dia 13 de janeiro do ano que vem, quando eu fizer o sorteio e divulgar o resultado, certo?

Promoção encerrada!

Bom, pessoal, é isso! No mais só quero desejar pra todo mundo um 2012 pra lá de feliz, cheio de alegrias deliciosas! E até ano que vem! Ou até amanhã, dá na mesma!

Categoria: Bastidores, Livros

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28/dez 2011

Veja o pôster do Oscar 2012

Oscar 2012

Melhor época do ano pra quem curte cinema. O Oscar é dia 26 de fevereiro, mas os indicados saem um mês antes, em 24 de janeiro.

Categoria: Cinema

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28/dez 2011

4 sites de tirinhas que você PRECISA conhecer

Não sei vocês, mas sempre fui fã de quadrinhos, em especial as tirinhas. Cresci me divertindo com as histórinhas do Snoopy, Mafalda e Turma da Mônica. Com a internet, ficou bem mais fácil conhecer novos autores e personagens, e é o espaço ideal para gente muito boa que não está na grande mídia mostrar sua arte. Por isso, hoje trago essa pequena lista dos meus sites favoritos de tirinhas, aqueles que aprendi a amar, admirar e esperar ansiosamente pelas atualizações.

 

Vida de Suporte

Vida de Suporte

As piadas sobre as dúvidas que os suportes de informática recebem são recorrentes, desde que a internet se popularizou. O que o Vida de Suporte faz é transformar essas histórias (a maioria delas enviadas pelos próprios leitores) em tirinhas. Quase não dá para acreditar que sejam reais de tão hilárias. Quase.

 

Dr. Pepper

Dr. Pepper

Sacana, indecente, politicamente incorreto. E engraçadíssimo. Se você não gosta de piadas sobre sexo ou sobre minorias, fique longe. Mas se você tem bom humor e sabe identificar uma boa brincadeira, então o Dr. Pepper é para você. E as tirinhas não dão mole pra ninguém: padres, anões, palhaços, gays, gordos, emos, todo mundo já foi zuado pelo site.

 

Um Sábado Qualquer

Um Sábado Qualquer

Claro que se brinca! E a prova é o Um Sábado Qualquer. As tirinhas que falam sobre a criação do mundo por Deus de uma forma muito bem humorada, e com muitas participações especiais. Os personagens são ótimos, e o meu favorito é o bebê Caim. Vale a pena ler tudo e, para facilitar a sua vida, o autor Carlos Ruas disponibilizou um arquivo com a 600 primeiras tirinhas do site. Imperdível!

Um Sábado Qualquer

 

Bichinhos de Jardim

Bichinhos de Jardim

Seres insignificantes dialogando sobre questões insignificantes. É assim que a autora Clara Gomes descreve o seu Bichinhos de Jardim. Mas a verdade é que as tirinhas envolvendo os pequenos animais que vivem em um jardim é muito mais que isso. O humor do site é bem sutil, e as indagações filosóficas dos personagens são uma delícia. É daquelas tirinhas pra colocar um sorriso no rosto depois de ler, e não tirá-lo mais.

Bichinhos de Jardim

Todas as tirinhas reproduzidas aqui foram retiradas dos respectivos sites. Para ler (muitas) mais, clique nos links do texto.

Categoria: Listas

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27/dez 2011

Veja esse mashup sensacional com o melhor do pop em 2011

Talvez você já tenha ouvido falar no DJ Earworm. O cara é tipo um deus dos mashups. Todo ano ele junta o que de melhor circulou na música pop em uma só faixa, e o resultado nunca é menos que sensacional. E o mashup com o melhor das popices de 2011 ficou simplesmente delicioso. Saca o vídeo aí embaixo, e no site do DJ dá pra baixar a música em MP3.

E se você não identificou tudo o que rola nos 5 minutos de som, veja aí a lista, que cobre com competência a lista dos melhores do pop no ano que termina:

Adele – Rolling In The Deep
Adele – Someone Like You
Black Eyed Peas – Just Can’t Get Enough
Bruno Mars – Grenade
Bruno Mars – The Lazy Song
Britney Spears – Till The World Ends
Cee Lo Green – F* You
Enrique Iglesias – Tonight (I’m Lovin’ You)
Foster the People – Pumped Up Kicks
Jennifer Lopez – On The Floor
Jeremih feat. 50 cent – Down On Me
Katy Perry – Firework
Katy Perry – E.T.
Katy Perry – Last Friday Night (T.G.I.F.)
Lady Gaga – Born This Way
LMFAO – Party Rock Anthem
LMFAO – Sexy and I Know It
Lupe Fiasco – The Show Goes On
Maroon 5 – Moves Like Jagger
Nicki Minaj – Super Bass
OneRepublic – Good Life
Pink – Raise Your Glass
Pitbull – Give Me Everything
Rihanna – S&M
Rihanna – We Found Love

Categoria: Música

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26/dez 2011

Banda de mentira… música de verdade!

Pode parecer loucura, mas se você pensar bem vai lembrar de um monte de músicas conhecidas de bandas e músicos que simplesmente não existem. E o melhor (ou seria pior?) é que algumas dessas músicas superam de longe grupos que existem de verdade.

The WondersPor exemplo, lembra da canção That Thing You Do? A música é da banda The Wonders, esses quatro caras aí do lado. Se você não sabe quem são eles, não se preocupe, porque na verdade a banda não existe. Eles são uma criação de Tom Hanks, que escreveu e dirigiu o filme The Wonders – O Sonho Não Acabou, história de uma banda americana que estoura nos anos 60 com um (único) hit certeiro: That Thing You Do! A música, composta para o filme, estourou na vida real. Pudera, a canção é realmente muito boa. Quem compôs a faixa na vida real foi Adam Schlesinger, integrante do grupo Fountais of Wayne. Nesse vídeo aqui, você lembra que delícia é a música.

Algumas músicas de bandas falsas não chegam a ocupar um lugar nas paradas de sucesso reais, mas conseguem conquistar seus fãs. É o caso de Fever Dog, da banda fictícia Stillwater, de Quase Famosos. O filme de Cameron Crowe conta a história de um garoto que sonha em ser jornalista musical e segue então em turnê com a tal banda, cujo vocalista é vivido por Jason Lee. E o hit Killer Tofu, da banda The Beets, conhece? Pois saiba que na cidade de Bluffington quase todo mundo adora! Pena que a cidade, assim como a banda e a música, simplesmente não existem. Killer Tofu é a canção favorita de Doug, personagem principal do desenho homônimo da Nickelodeon. E You All Everybody? O maior hit da banda Drive Shaft, que encerrou atividades depois de um trágico acidente aéreo que matou um dos integrantes, Charlie Pace. É claro, você sabe, é a banda fictícia de Lost. Veja a comoção causada pela música aqui.

Alex Fletcher era vocalista da banda PoP nos anos 80, e tinha o megahit Pop! Goes My Heart. Fletcher na verdade é Hugh Grant, astro da comédia Letra e Música. O filme podia ser péssimo, mas só o clipe da canção, totalmente brega-anos-80 já valeria o ingresso para o longa. Veja:

Mas nenhum filme foi tão longe na idéia de criar um grupo de mentira quanto o genial Isto é Spinal Tap. O diretor Rob Reiner fez, em 1984, um mockumentário sobre uma banda de hard rock chamada Spinal Tap. O filme tem toda a estrutura de um documentário tradicional, com entrevistas e imagens de bastidores, seguindo a turnê de despedida da banda. O negócio é tão bem feito que na época do lançamento do filme, muita gente procurou o diretor para perguntar porque cargas d’água ele resolveu fazer um documentário sobre uma banda que ninguém conhecia. A idéia aqui é satirizar e homenagear as (bregas) bandas de hard rock que proliferavam nos anos 80. Em um desses lances em que a vida imita a arte, o filme fez tanto sucesso que a Spinal Tap acabou fazendo uma turnê de verdade. Veja o clipe de Hell Hole, um dos “sucessos” do Spinal Tap.

Gorillaz

E um artigo sobre bandas “virtuais” não podia deixar de fora o Gorillaz. A banda surgiu em 1998, formada por quatro macacos em animação, e só depois de um tempo é que ficamos sabendo que na verdade se tratava de um projeto paralelo de Damon Albarn, do Blur. A coisa era tão sofisticada, que os quatro integrantes tinham nome, personalidades, e até faziam shows. Neles, a banda de verdade ficava escondida atrás de um pano, e imagens eram projetadas em telões. O som do Gorillaz é puro rock alternativo com pitadas de hip hop e eletrônica. Veja o clipe de 19/2000. Aqui no Brasil até tentaram fazer uma coisa parecida, com o rapper Dogão, mas a coisa não colou. O cara bicho teve só uma música com relativo sucesso, Dogão é Mau. Até onde eu sei, nunca foi revelado quem estava por trás do projeto, além do produtor Rick Bonadio.

E no seriado How I Met Your Mother, a personagem Robin era uma estrela adolescente no Canadá, e já pudemos até ver o clipe do lado B da carreira de Robin, a música Sandcastles in the Sand. Assim como seu “hit” anterior, Let’s Go to the Mall, o vídeo é engraçadíssimo por causa da breguice. Veja as duas pérolas:

Categoria: Música

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25/dez 2011

Uma coletânea de Canções de Natal

Feliz Natal!

Então é Natal… e uma coisa que a gente deve admirar nos americanos é a verdadeira fixação que eles têm por canções natalinas. Enquanto aqui no Brasil só a Simone poucos artistas têm o hábito de gravar músicas com tema de Natal, lá todo músico acaba, em algum momento da vida, gravando uma música ou, o mais comum, um disco inteiro dedicado às canções de Natal.

Por isso, de presente para você, nesse dia tão inspirador, deixo uma coletânea que preparei com as mais bonitas, emocionantes e inusitadas músicas de Natal. É pra baixar e botar pra tocar hoje à noite, enquanto você devora os restos da ceia de ontem.

#happyxmas_2011#happyxmas_2011
01 Merry Christmas Baby – Hanson
02 All I Want For Christmas Is You – Mariah Carrey
03 Jingle Bell Rock – Bobby Helms
04 Rockin’ Around The Christmas Tree – She & Him
05 Feliz Navidad – Bowling For Soup
06 Christmas Is All Around – Bill Nighy
07 Last Christmas – Taylor Swift
08 We Wish You A Merry Christmas – Relient K
09 Deck The Halls – McFly
10 Little Saint Nick – The Beach Boys
11 The Christmas Waltz – She & Him
12 Corner Store On Christmas – Bowling For Soup
13 Silent Night Medley – Hanson
14 White Christmas – Libera
(Bônus) Boas Festas – Maria Bethânia

Baixe a coletânea

Categoria: Coletas, Música

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24/dez 2011

Meu presente de natal: um blog bacana

Fala galera! O post de hoje é um pouquinho diferente: é um presente de natal. Um presente para um blog super bacana que eu conheci em 2011, mas também um presente para vocês, meus cinco leitores fiéis que acompanham o Fósforo e, tenho certeza, vão gostar dessa indicação. A motivação para o post saiu do Desafio 21 Dias do Blosque que, você lembra, eu participei no mês passado. E uma das tarefas era preparar um post para o dia de hoje, presenteando um blog que valesse a pena com uma resenha apresentando o mesmo para o meu público.

Pois bem, o blog que eu escolhi para presentear foi o .Livro, do Luciano Santos. Eu conheci o site dele através do Meme Literário de Um Mês do Happy Batatinha, e confesso que foi uma das descobertas que mais curti de todas que fiz naquele mês de outubro. No .Livro, o Luciano fala essencialmente sobre livros (claro!), com resenhas dos exemplares que ele leu e as experiências dele ligadas à literatura, mas sempre tem espaço para um pouco de cinema e TV também: vira e mexe ele fala sobre filmes e séries que assiste.

.Livro

Uma das várias coisas bacanas que me atraiu no .Livro foi o fato do blog ser escrito por um garoto. Não sei porque, mas a maioria dos blogs literários são escritos por meninas, então sempre presto atenção quando vejo um blog de livros feito por um homem, porque tenho a impressão que os gostos e opiniões vão bater mais com os meus. Bom, no caso do Luciano, as minhas leituras não coincidem muito com as dele mas, quando coincidem, já vi que as opiniões encaixam. Por conta disso mesmo, já coloquei na minha lista de coisas para ler várias dicas que peguei de lá. E, mais que tudo, alguém que gosta tanto de Super 8 quanto eu merece todo o meu respeito!

Pra terminar, vou deixar alguns posts do .Livro que eu acho serem bons pra você dar os primeiros passos por lá:
17 livros para se ler no inverno
Super 8: Alguém dê um abraço no J.J. Abrams por mim
Todos os posts do meme literário
O primeiro livro a gente nunca, nunca esquece
Como eu leio

É isso! Luciano, feliz natal e parabéns pelo blog. Tomara que ano que vem ele continue a todo vapor!

Categoria: Bastidores, Livros

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23/dez 2011

Dois filmes que eu NÃO VI em 2011

Estou acostumado a falar aqui sobre os filmes que assisti, mas não é tão comum eu falar sobre filmes que não vi. Pois é! Com as maravilhas da internet a gente fica conhecendo uma porção de coisas às quais nem sempre temos acesso, mesmo que a própria internet na maioria das vezes dê uma forcinha. Nesse ano, eu vi vários filmes que nunca teria interesse de ver e que nem estariam disponíveis não fosse a rede, mas também conheci filmes que quis muito assistir, mas simplesmente não tive como, seja por falta de acesso ou por simples preguiça.

WeekendO filme Weekend, por exemplo, é um que eu cacei o ano todo e não consegui achar em lugar nenhum. O longa independente de Andrew Haigh não chegou a ter distribuição comercial massiva, mas foi exibido em diversos festivais durante o ano, onde foi ganhando fama e cultuado por quem o assistiu. A história é de dois homens (Tom Cullen e Chris New), que se conhecem em uma balada de sexta à noite, e decidem ir para o apartamento de um deles, onde vivem um fim de semana de bebidas, drogas, sexo, mas também conversas e reflexões. O diretor quis criar um filme que tratasse a homossexualidade de forma mais natural, menos esteriotipada. E parece que deu certo. Weekend foi aclamado em todos os festivais em que foi exibido, e por isso mesmo despertou minha curiosidade. Mas, infelizmente, o longa não chegou ao Brasil, e nem há previsão de que chegue.

Já no caso de Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Digital, posso dizer que eu marquei bobeira. O filme chegou a ser exibido aqui em Juiz de Fora por duas semanas, mas por preguiça e desconhecimento, não fui vê-lo. Só depois que saiu de cartaz fui procurar saber mais sobre o longa que a Juliana tanto me falou sobre, e fiquei com uma vontade incontrolável de assistir. A história do filme dirigido por Gustavo Taretto é de dois jovens, Martín (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala), vizinhos, mas que nunca se viram, que acabam desenvolvendo uma relação via internet. É uma história sobre relacionamentos modernos, sobre solidão mas, acima de tudo, sobre pessoas. No caso de Medianeras, há uma esperança maior de que eu venha a vê-lo, já que entrei em contato com a distribuidora responsável pelo filme no Brasil, e fui informado que ele será lançado em DVD no dia 8 de março do ano que vem.

Medianeras

Se você viu esses filmes e quiser me contar o que achou, fique à vontade (mas sem spoilers, viu?). Se você quer, tanto quanto eu, vê-los também, ou outro filme que você correu atrás mas não achou, me conta também!

Categoria: Cinema

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21/dez 2011

Já viu o trailer de O Hobbit?

Se você gostou minimamente de O Senhor dos Anéis, se você é fã de Tolkien e/ou do Peter Jackson, e se você mora no planeta Terra, bem, então esse primeiro trailer de O Hobbit é para você:

Categoria: Cinema, Trailers

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20/dez 2011

Pequena Abelha, de Chris Cleave [Resenha X]

Para mim, uma das coisas mais difíceis é falar sobre um livro que não gostei muito. Mas após ler Pequena Abelha (Editora Intrínseca, 272 páginas), acho que é ainda mais difícil falar sobre um livro que gostei tanto, mas tanto que fiquei, literalmente, sem palavras. Mas talvez isso não seja algo ruim para um livro cuja estratégia de marketing se baseia justamente em divulgar o mínimo: sim, a própria contracapa do livro pede que se divulgue o menor número de informações sobre a história, sob pena de estragar a experiência do leitor. E quer saber? É assim que deve ser!

Pequena AbelhaO mínimo sobre Pequena Abelha é: o livro conta a história de duas mulheres bem diferentes entre si: Pequena Abelha, uma refugiada nigeriana que vai para a Inglaterra fugindo do massacre em seu país, e Sarah, jornalista britânica e mãe de um garoto. As duas se cruzaram em um dia fatídico, em que uma delas teve que tomar uma decisão que mudaria, para sempre, a vida das duas. O livro então trata de traçar o tal dia, as consequências dele e a forma como as duas tentam vencer os traumas deixados. E dizer mais do que isso já estragaria seriamente a surpresa.

Chris Cleave estruturou Pequena Abelha atráves de capítulos em que, alternadamente, a Abelhinha e Sarah narram em primeira pessoa. Não vá esperando um livro fácil de ler. Pequena Abelha é triste, doloroso, provocativo. Mas é também uma experiência literária fascinante, principalmente nos capítulos narrados pela Pequena Abelha. Ela é uma garota sofrida, vinda de um ambiente totalmente inóspito, mas com um senso de pragmatismo quase mecânico, e uma visão peculiar da vida.

Todo mundo em minha aldeia gostava do U2. Todo mundo em meu país, talvez. Não seria engraçado se os rebeldes do petróleo estivessem ouvindo U2 em seus acampamentos na selva e os soldados do governo, ao mesmo tempo, estivessem escutando U2 em seus caminhões? Acho que todo mundo estava se matando e escutando a mesma música. E sabe de uma coisa? Na minha primeira semana no centro de detenção, o U2 também era o número um lá. Isso é uma coisa interessante sobre este mundo, Sarah. Ninguém gosta dos outros, mas todos gostam do U2.

O livro é daqueles que você vai querer ler com um marcador de textos na mão, porque várias passagens dão vontade de colecionar, de tão belas ou bem sacadas. E o autor mostra uma sensibilidade incrível. Confesso que me derreti em vários momentos (um em especial talvez seja a cena mais triste que já li na vida), e não me lembro de ter ficado tão envolvido em uma leitura antes, com tanta pena de chegar ao fim e ficar órfão da obra. Mas ao mesmo tempo, é daqueles livros que não se abandona após a leitura. Ele fica ali, martelando, refletindo, dando crias na nossa cabeça.

[...] peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas eu e você temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: “Eu sobrevivi.”

Sim, falar sobre Pequena Abelha é muito difícil. E mesmo que eu enchesse zilhões de parágrafos, ainda assim não conseguiria te mostrar o quanto o livro é bom e vale a pena ser lido. Não é um livro fácil, eu já disse. Ele mexe com emoções profundas. Mas ninguém disse que as melhores experiências de leitura seriam as mais fáceis, não é mesmo?

Categoria: Livros, Resenhas

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